Soluções para o lodo de esgoto

 

O processo de tratamento de água e esgoto é essencial para um bom saneamento básico. A água e o esgoto precisam passar por estações de tratamento para que a água se torne adequada para consumo humano e para que as águas residuais atinjam um nível aceitável para que seja descartada dos rios e no mar. Mas esse processo gera um resíduo prejudicial ao meio ambiente: o lodo do esgoto.

Nem sempre as estações de tratamento estão atentas ao problema, e acabam descartando esse resíduo nos rios, o que muitas vezes, desfaz o trabalho de tratamento ocorrido nas estações. Para resolver o problema é preciso conhecer as características deste resíduo a fundo, e assim trazer soluções viáveis e compatíveis ao problema.

O lançamento do lodo gerado nas estações nos cursos d’água ocorre principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. Esse procedimento causa impactos ambientais que preocupam os órgãos ambientais. As causas do problema vêm do fato que os projetos criados em estações de tratamento muitas vezes não apresentam planejamento quando ao destino do lodo, o que gera um descarte inadequado, sem acompanhamento, que pode custar alto para a estação, com prejuízos tanto financeiros como ambientais. O custo também é um problema, e pode custar até 60% dos custos operacionais de uma estação de tratamento, além de ser um processo complexo, que demanda tecnologias caras.

Já tivemos avanços na área, e alguns órgãos ambientais passaram a exigir que inclua um detalhamento do processo de descarte do lodo de esgoto dentro do projeto como requisito de licenciamento das estações de tratamento. A legislação na área dos resíduos sólidos já exige que os produtores dos resíduos sejam responsáveis pelos danos causados pelo seu destino inadequado. Portanto o descarte do lodo nos rios pode ser enquadrado como crime ambiental.

Os países desenvolvidos resolvem este problema com diversas alternativas eficazes, como por exemplo, a disposição do lodo em aterros sanitários – que tem a tendência a ser reduzido devido as crescentes exigências ambientais -, a aplicação controlada no solo e a reciclagem, onde os resíduos são reutilizados para gerar algum bem ou benefício à população. De todas as soluções, a mais promissora tem sido a reciclagem agrícola, que tem perspectiva de crescimento em todo o planeta. Com ela, há garantia de fornecimento de insumo de boa qualidade à agricultura, com seleção criteriosa, escolhendo áreas e culturas aptas com a orientação técnica adequada ao produtor rural e realização de monitoramento ambiental.

Segundo pesquisas feitas em 2001, o Brasil gerava entre 150 mil a 220 mil toneladas de lodo por ano. Este número com certeza subiu drasticamente com o aumento da coleta e tratamento de esgoto no país, e ainda tem espaço para um crescimento muito maior, uma vez que dos 116 milhões de habitantes no Brasil, apenas 32 milhões têm acesso a coleta de esgoto, e grande parte fica sem tratamento. Em 2007 foi criada a Lei do Saneamento Básico, mas segundo pesquisas, apesar de ter provocado melhoras na situação de saneamento do Brasil, os avanços foram tímidos em algumas regiões.

O Brasil precisa criar soluções para que suas estações de tratamento adequem seu descarte de lodo e cause menos impacto no meio ambiente, principalmente porque se trata de um país com grande concentração de água doce do mundo, e que tem tanta possibilidade de melhora em seu saneamento básico.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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