Poluição atmosférica causa 700 mil mortes por ano

 

Este mês foi divulgado um estudo que indica a ligação da poluição atmosférica de indústrias com mais de 700 mil mortes prematuras por ano no mundo.  É o primeiro relatório que relaciona mortes prematuras mundialmente com comércio internacional, segundo pesquisa publicada na revista Nature.

O estudo mostra de forma clara que a poluição não é um problema local, já que afeta milhões de pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância da fonte emissora das partículas poluentes. Exemplo disso é a comprovação de que mortes por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e câncer de pulmão nos Estados Unidos eram ligadas a emissões de indústrias na China, que produz bens de exportação. A pesquisa comprova que o comércio internacional está globalizando também a mortalidade por poluição do ar.

O ar fica impróprio quando uma quantidade de matéria ou energia com concentração aumentada numa quantidade grande de tempo, o tornando nocivo à saúde, dificultando o bem-estar público e prejudicando à flora e à fauna do mundo. Os mais vulneráveis são as crianças e idosos e as pessoas com doenças respiratórias, como asma e bronquite.

Mas a qualidade de vida da população fica comprometida como um todo isso traz gastos para o governo com um alto números de internações hospitalares, medicamentos, queda de produção na sociedade, custos que poderiam ser investidos em melhorias em vários campos da vida da população. A poluição também prejudica o solo, águas e a qualidade dos materiais.

Mas apesar de ser um problema mundial, alguns lugares sofrem mais que outros. A Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgou em 2016 que 92% da população mundial vive em áreas que excedem os níveis de poluição recomendados. E claro, os países mais pobres e em desenvolvimento são os mais prejudicados pelo problema.

Entre os países emergentes do grupo Brics, o Brasil tem o desempenho menos negativo da poluição do ar. Aqui temos 14 mortes por ano para cada 100 mil habitantes, enquanto que na China apresenta 70, na Rússia tem 61, Índia tem 68 e a África do Sul tem 39 mortes para a mesma proporção. As vantagens do Brasil se deve, provavelmente, a matriz energética renovável, que é uma das mais limpas do mundo e as políticas de contenção de emissões. Mas precisamos ficar atentos para o futuro, pois segundo pesquisas os países mais prejudicados estão dando mais atenção ao problema e o Brasil vem dando foco a outras questões.

Estes países são afetados mais pelo problema exatamente porque é onde a industrialização acontece da forma mais desregulada e onde existem menos políticas públicas sobre acesso a tecnologias limpas. Mesmo numa posição melhor que muitos países em desenvolvimento, o Brasil ainda está atrás da América do Norte e da Europa quanto a qualidade do ar. O Brasil apresenta controles nas indústrias e o desenvolvimento de tecnologias de combustíveis, o que contribui para melhoria do ar, mas ainda existem várias fontes poluindo o ar, as principais sendo as queimadas no campo, veículos e indústrias.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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