O transporte aéreo e o aquecimento global

 

Nas últimas décadas o Brasil apresentou crescimento econômico acentuado e um aumento no poder aquisitivo que impulsionou um aumento da demanda por transporte aéreo. Apesar de ser um fator de desenvolvimento, devemos pensar se é um desenvolvimento sustentável. E diante do aumento do aquecimento global, devemos focar em quais combustíveis estão sendo usados e como podemos avançar para uma matriz energética mais limpa.

O principal combustível usado em aviões é o querosene, cuja queima gera diversos poluentes perigoso causadores do aquecimento global, como o monóxido e o dióxido de carbono, os hidrocarburetos gasosos e os óxidos de nitrogênio. Só em 2011 foram gerados 676 milhões de toneladas de CO2 vindos de voos comerciais, mesmo que essa quantidade venha caindo desde a década de 70 com a evolução das tecnologias dos motores. E o uso do transporte aéreo está em franco crescimento. Houve um aumento de 75% de passageiros de avião no mundo de 2003 a 2011, representando 51% dos deslocamentos turísticos.

No Brasil, o crescimento da venda das passagens aéreas é resultado da redução dos seus preços devido a alterações regulatórias que promoveram a competição e tiraram obstáculos à oferta de novos serviços e rotas. Mas ainda há grande possibilidade de crescimento uma vez que o Brasil é bastante extenso em território e a aviação tem grande papel estratégico na economia e na vida dos cidadãos.

Para contrabalancear, as empresas de transporte aéreo têm feito esforços para diminuir o impacto ambiental dos aviões, investindo em novas tecnologias para seus motores. A busca por combustíveis limpos também tem avançado, um exemplo sendo o bioquerosene, que é feito a partir da cana de açúcar e gera até 82% menos gases do efeito estufa. A empresa Gol é um exemplo desses esforços e anunciou em 2012 que em 20 anos toda a sua frota estaria utilizando biocombustíveis.

Outra opção é compensar as emissões de gás carbônico, agindo em favor do meio ambiente de outras formas. Empresas podem adquirir créditos disponíveis para comercialização plantar árvores, e contribuir para uma estrutura mais sustentável, como por exemplo, investindo num aeroporto com painéis solares para gerar energia, um plano de resíduos sólidos eficaz, e um sistema de reutilização de água através de um tratamento interno.

O Aeroporto Internacional de São Francisco, nos Estados Unidos, vem buscando ações que ajudem a zerar as emissões de carbono até 2020, diminuindo 1,6 toneladas todo ano. Para isso eles estão confiando num sistema de iluminação ecoeficiente que diminui a utilização de lâmpadas através do uso da luz natural, e no uso de ônibus movidos a biodiesel. Os passageiros também poderão fazer sua parte e ganharão descontos se alugarem carros ecoeficientes e comprarem créditos de carbono para diminuir o impacto ambiental de suas viagens.

Em 2016 aconteceu a 39° Assembleia da Organização de Aviação Civil Internacional, no Canadá, que aprovou resolução que define diretrizes regulatórias para um esquema global de compensação de emissões de carbono para o transporte aéreo internacional. A primeira fase do acordo pretende promover o crescimento neutro de CO2 da aviação civil internacional a partir de 2020, e o Brasil deve aderia aos objetivos na segunda fase, a partir de 2017.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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