Tratamento de resíduos sólidos orgânicos com vermicompostagem

 

A busca por soluções e técnicas de tratamento de resíduos sólidos nunca deve parar. Em nossa rotina devemos estar sempre atentos aos nossos atos e em como eles influenciam o meio ambiente e a saúde pública. Aprendemos que devemos separar o lixo, fazer a coleta seletiva e a reciclagem, e desta forma estamos contribuindo para um mundo sustentável.

Mas o resíduo sólido orgânico ainda é um problema, pois ele é gerado em altíssima quantidade, tomando grande espaço nos aterros sanitários. O problema é que no seu processo de decomposição, o resíduo orgânico produz gás metano, que intensifica o efeito estufa, agravando o aquecimento global.

Esse resíduo também produz o chorume, líquido que é gerado em grande quantidade em seu processo de decomposição e em ambientes inadequados, como lixões e aterros controlados – como é o caso da maioria dos municípios no Brasil – pode poluir o solo e alcançar lençóis freáticos, poluindo nossas águas.

Vou falar, então, sobre minha experiência com a Vermicompostagem. Existem técnicas que podem acelerar o tratamento de resíduos sólidos orgânicos e valorizar o seu produto. Dessa forma é possível diminuir o lixo orgânico nos aterros sanitários e conseguir reutilizar o produto como um adubo de altíssima qualidade.

A Vermicompostagem é um processo de transformação biológica de matéria orgânica acelerado pelo uso de minhocas. A grande vantagem é que o processo de compostagem com minhocas é mais rápido e tem como produto final o húmos de minhoca, um adubo rico em nutrientes.

Para aprimorar a técnica, realizei alguns experimentos, dos quais foram publicados, e cheguei a conclusões interessantes que podem ajudar no aprimoramento das técnicas de tratamento dos resíduos orgânicos. Eu conduzi a Vermicompostagem de matérias orgânicas previamente selecionadas, em pilhas de reviramento manual, onde pude estabelecer parâmetros adequados de controle para o tratamento de resíduos sólidos.

O processo de Vermicompostagem tem duas etapas. Na primeira etapa o resíduo é compostado para que a temperatura da matéria orgânica putrescível abaixe até que seja compatível aos níveis exigidos pela minhoca. Na segunda etapa o produto é submetido, enfim, à ação das minhocas.

Nos meus experimentos, usei vários canteiros idênticos contendo diferentes misturas, em proporções diferentes de resíduos sólidos urbanos orgânicos, serragem, palhada e esterco de gado bovino.  Pude observar, então, o comportamento das minhocas nos diferentes ambientes que preparei, que variavam bastante no instante do ciclo reprodutivo, melhor ou pior adaptadas ao substrato em que foram aplicadas. Isso se deve aos elevados coeficientes de variação associados aos valores de casulos verdes e o percentual de indivíduos adultos, que representam dois extremos do ciclo evolutivo destes organismos.

O que eu descobri foi que a Vermicompostagem deve ser feita levando em conta a interpretação dos valores de pH e distribuição de minhocas por faixa etárias. Isso porque a relação entre indivíduos jovens e indivíduos adultos que acompanhei é resultado da interferência do pH: quanto maior o seu valor, maior a quantidade de indivíduos jovens em relação aos indivíduos adultos.

Essa experiência pode ajudar no aprimoramento da técnica de Vermicompostagem, além de acrescentar dados à discussão sobre as formas de tratamento e valorização dos resíduos sólidos. A pesquisa deve ser incentivada sempre, de modo que possamos estar buscando continuamente e melhorando técnicas eficientes e viáveis para a busca de soluções quando ao destino dos resíduos sólidos no mundo.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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