Os oceanos estão em perigo

 

O oceano tem sido, ao longo dos anos, usado como um destino final de esgoto e dejetos em todo o mundo. Por sua natureza autodepurativo, o homem lança diversos resíduos em suas águas, como lixo tóxico, resíduos industriais, esgotos domésticos, plástico, pesticidas da agricultura, hidrocarbonetos e outros. Seus ciclos biológicos absorvem esses resíduos e purificam as aguas, mas devemos lembrar que até mesmo o meio ambiente tem seus limites de autopreservação.

Os oceanos representam cerca de 2/3 do planeta e são fontes primárias da água que chega aos continentes, seja através da chuva ou neve. O oceano tem o maior reservatório de carbono e grande capacidade de armazenar calor, e por isso são importantes reguladores climáticos. Além disso, é considerado os pulmões do mundo, devido à alta liberação de oxigênio através do fitoplâncton.

Mas a exploração do homem tem tido efeitos devastadores. A poluição provocada pelos efluentes domésticos e industriais e o derramamento de hidrocarbonetos tem agredido assustadoramente o meio aquático. Assim, os oceanos perdem sua capacidade de depuração de dejetos que todos os dias lhes são despejados.

A grande maioria das mercadorias são transportadas pelo oceano através de navios, mas há riscos de derrames de hidrocarbonetos, como o petróleo, provocados por acidentes dos navios, seja por falha humana, negligencia, ou deficiência na legislação e fiscalização do transporte marítimo, causando uma polução incalculável. O resultado é que os peixes são contaminados e morrem, a luz é bloqueada e impedem as algas de fazer a fotossíntese e os peixes morrem por falta de oxigênio, surgem distúrbios reprodutivos e cerebrais em mamíferos, tartarugas e peixes, entre outros problemas.

Outros tipos de resíduo também têm causado alerta máximo nos ambientalistas, como o plástico, lamas químicas e outros detritos. Recentemente foi descoberto que a já conhecida mancha de lixo do Oceano Pacífico, localizado entre o Havaí e a Califórnia, é bem maior do que se era calculado. Foram encontradas redes de pesca, recipientes de plástico, etc. O local é pouco usado pela navegação mercantil ou turística, por isso os cientistas não recebem tanto apoio para lidar com o problema.

O lixo no oceano é um problema crescente e alarmante: por volta de 10% dos 250 milhões de toneladas de plástico que o homem produz por ano vai para o mar. E 80% da poluição dos oceanos é composta por plástico. Isso faz com que materiais de pesca sejam encontrados dentro das baleias, interferido também na vida de milhares de espécies.

Muitos desses problemas poderiam ser evitados com um maior engajamento na reciclagem de plástico. Mas indústrias e países descartam seus resíduos no mar, como uma forma mais fácil de lidar com o problema. Um fator importante também é o descarte irregular de resíduos por turistas nas praias durante o verão. A situação é tão grave que, segundo o Fórum Econômico Mundial de Davos, é possível que os oceanos tenham mais resíduos de plástico do que peixes até 2050.

É possível reverter pelo menos parte do estrago. Existem projetos que pretendem utilizar resíduo plástico reciclado retirados de canais e praias, como a empresa Dell, que desde 2012 passaram a usar 25% de resíduo plástico para produzir embalagens dos seus produtos. A meta e chegar a 100% até 2020.

Outro exemplo é a start up By Fusion, que desenvolveu um tijolo a partir de plásticos retirados dos oceanos. O processo envolve uma máquina modular que comprime os plásticos em blocos duráveis, que podem ser customizados em diferentes formas e densidades. Além de reciclar o lixo dos oceanos, o processo emite 95% menos gases do efeito estufa em comparação ao tijolo de concreto.

Todos devem contribuir para um melhor uso dos recursos que utilizamos, descartando corretamente e reutilizando e reciclando sempre que possível. A responsabilidade por um desastre ambiental é de todos, afinal cada embalagem, ou objeto que descartamos polui o meio ambiente e pode acabar nos oceanos, contribuindo para os lixões marítimos.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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