A poluição dos rios mineiros

 

O Rio Paraopeba é um dos principais afluentes do Rio São Francisco e uma importante fonte de abastecimento urbano. Ele tem mais de 13 mil quilômetros quadrados e cobre 35 municípios de Minas Gerais.  Sua nascente é em Cristiano Otoni e sua foz está na represa de Três Marias, em Felixlândia.

Mas infelizmente o Rio Paraopeba enfrenta problemas com a poluição e é um problema majoritariamente de saneamento básico da região. Estudos confirmaram que 90% dos 35 municípios banhados pelo rio não tratam o esgoto doméstico. E a atividade mineradora na região central do estado é também um grave fator e compromete a qualidade da água em rios afluentes do Paraopeba.

O volume de lixo é tão grande no rio, que em alguns pontos, perto do entroncamento do Rio Paraopeba com o Rio Betim, região altamente industrializada, a taxa de oxigenação é nula. Nesse trecho são encontrados lixo orgânico e químico das indústrias metalúrgicas. Segundo os biólogos autores da pesquisa, o lançamento de esgoto doméstico e industrial sem tratamento acaba impedindo qualquer tipo de vida aquática.

O Rio Paraopeba deve passar por estações de tratamento, que precisam de melhorias e estações adicionais. Mas o problema está longe de ser isolado e o Rio Paraopeba é só mais um entre tantos. Minas Gerais é responsável por 80,7% da vazão da bacia do São Francisco, vindo de afluentes mineiros, mas essa água também é a principal fonte de sua contaminação.

A Bacia do Rio das Velhas, a segundo em volume do estado, despeja 321,9 metros cúbico por segundo de água poluída por esgotos na Bacia do Rio São Francisco. Segundo estudos, a água está contaminada pelas mineradoras, apresentando altas cargas de arsênio, um semimetal que pode causar câncer de pele, no pâncreas, pulmão e má formação neurológica e abortos. Além disso, foi também encontrado em amostras da água, cádmio, chumbo, cianeto, cromo, mercúrio e zinco.

Toda essa contaminação, sendo o estudo, vem de esgotos, mineradoras, curtumes, frigoríficos, fábricas têxteis, usinas de ligas metálicas e siderurgia, que despejam seus efluentes sem tratamento e não são punidos pelos órgãos públicos. O relatório do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco afirma que a situação do rio que abastece 70% de Belo Horizonte da Grande BH é “uma das mais problemáticas em termos de qualidade das águas superficiais no conjunto da bacia hidrográfica do Rio São Francisco e até em nível nacional”.

As consequências dessa poluição para a população podem ser grandes. Segundo pesquisas, 10 milhões de mortes por ano em todo o mundo são consequências de doenças causadas pelo uso da água imprópria para consumo humano. São doenças causadas por vírus, como poliomielite; por bactérias, como a leptospirose, cólera e febre tifoide; por protozoários, como desinteria amebiana e giardísase; e por vermes, como a esquistossomose.

A poluição das águas é um problema mundial, e afeta mais alguns lugares do que outros, mas como vimos, ele está muito presente na nossa realidade, pondo em risco nossa saúde todos os dias. As estações de tratamento ainda são soluções viáveis, onde são feitos procedimentos físicos e químicos aplicados na água para que ela se torne própria para consumo.

No caso dos rios mineiros, além da melhoria do tratamento de água, é preciso ter tratamento sanitário nas cidades, principalmente as cidades banhadas pelos rios. E ainda deve-se ter um controle maior das indústrias que despejam rejeitos químicos nas águas, comprometendo a saúde toda população e do meio ambiente.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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