O consumo sustentável na infância

 

As novas gerações estão crescendo hoje com a consciência maior acerca do meio ambiente e o impacto de suas ações no mundo, natural, então, que as ensinemos o conceito de consumo sustentável e como os produtos que compramos pode danificar nosso planeta.

O consumo sustentável é quando compramos um produto que realmente é necessário e o usamos por toda sua vida útil, estendendo seu uso ao máximo possível, reciclando sempre que possível. Além disso, o produto em questão deve ser feito pensando em seu impacto no mundo, sendo fabricado com menos recursos naturais possíveis e com materiais facilmente reaproveitados e reciclados. Consumir de forma sustentável é ter consciência de tudo isso e agir de modo responsável.

Mas o que acontece com as crianças que crescem na frente da TV, expostas a todo tipo de comerciais e ações de marketing? Como evitar que elas se tornem altamente consumistas quando se relacionam com imagens, produtos, estímulos o tempo todo? Como explicar para essa criança que a fabricação de quase tudo que ela compra causa um grande impacto negativo no planeta e ela deve estar consciente disso, mesmo que tudo que ela quer é brincar?

A resposta é a mudança na educação. Além de mudarmos nossos próprios hábitos, e isso já servir de exemplo e normalizar o comportamento sustentável para as crianças, devemos educar em relação ao consumo sustentável. A criança deve saber, o mais cedo possível, que todas suas ações tem um impacto na vida coletiva, em todos os âmbitos da sua vida, incluindo o meio ambiente. Ela vai, inevitavelmente, aprender a consumir, muitas vezes de forma desenfreada, e por isso os valores de solidariedade, responsabilidade e respeito com o outro e ao meio devem estar bem embutidos em sua consciência.

E a influência na criança não vem apenas da escola, mas também das ruas, e diversas mídias. Pensando em como nossa consciência ambiental, de um modo geral, vem amplificando e aprofundando, podemos realmente causar um grande impacto no futuro ao ensinar nossas crianças, o mais cedo possível, sobre o consumo sustentável. Elas podem vir a fazer grandes mudanças no futuro.

As escolas têm introduzido a educação ambiental em todas as idades, mas é preciso fortalecer a noção de consumo e seus impactos no mundo, e que isso é uma escolha nossa. Não adianta ensinar em teoria, quando na prática as crianças estão sendo incentivadas a comprar produtos industrializados dentro da escola, e a usar lancheiras, cadernos e brinquedos sem estar atento ao cumprimento das leis ambientais de seus fabricantes.

As crianças devem ser ensinadas desde cedo valores menos materialistas. E os adultos devem estar atentos ao nível de marketing a que são expostas todo dia. Segundo o Ibope, as crianças brasileiras assistem em média 5 horas de televisão por dia. Além do alto consumo de energia elétrica, a exposição a televisão por tanto tempo causa diversos prejuízos no crescimento da criança.

Com o aumento do consumismo, aumenta também o índice de obesidade infantil, sedentarismo, adultização precoce, e outros problemas. Segundo pesquisas, o sobrepeso em crianças dobrou nos últimos 34 anos, fruto do consumo exacerbado de produtos industrializados, expostos em campanhas publicitárias. E atenção, acesso rápido ao consumo e status social são os principais fatores que levaram crianças e adolescentes a cometerem delitos.

Para educar propriamente nossas crianças devemos pensar nisso como um problema de toda sociedade e não só dos pais e das escolas, afinal temos o dever de defender e preservar o meio ambiente. Temos, então, que estar atento ao nosso papel quanto as crianças que convivemos. Os pais devem dialogar, e saber dizer “não” quando é preciso; é importante fazer as crianças questionarem: eu preciso realmente desse produto? Eu tenho um produto parecido? Como posso recicla-lo?

Os educadores devem promover debates e realizar tarefas que contribuam para a formação de indivíduos autônomos, criativos e críticos. As empresas devem agir com ética e fazer apelos de consumo direcionada aos adultos. E o Estado deve regular e fiscalizar leis que protejam as crianças do consumo, afinal elas não devem ser vistas como pequenos consumidores, e sim como indivíduos em formação que irão transformar nossa realidade.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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