Carros elétricos são ambientalmente corretos?

 

Em 2015 estimávamos que os carros elétricos iriam representar 15% do mercado mundial. Essa previsão é três vezes maior do que a previsão de crescimento anterior e de fato a produção de veículos elétricos tem crescido cada vez mais no mundo todo. Em uma análise geral, podemos afirmar que os carros elétricos no mundo hoje são apenas 0,86% dos veículos.

As vantagens do crescimento destes veículos são muitas. Eles têm maior eficiência do motor se comparado com a gasolina, sua deslocação é também mais silenciosa, diminuindo a poluição sonora, o seu custo de utilização é um terço do valor do combustível de veículos de motor interno, além de menor custo de manutenção. Mas a grande vantagem do veículo elétrico, que gera incentivos dos governos, é que ele é a única solução que não gera emissões de gases do efeito estufa.

A desvantagem é a pouco autonomia do veículo, uma vez que ele pode andar entre 100Km e 200Km em média, de acordo com o tipo de veículo. Ele também demora a carregar: as baterias de iões de lítio podem ser carregadas cerca de 80% da sua capacidade em cerca de 20 minutos. A carga total, quando feita em casa numa tomada de 220v, pode durar de 6 a 8 horas. O carro elétrico também tem o valor mais elevado como desvantagem.

Mas mesmo sendo celebrado como um veículo 100% limpo, com um olhar mais amplo vemos que não é bem assim. Dependendo da forma como é produzida a eletricidade, por exemplo, podem haver emissões de gases do efeito estufa, e os países muitas vezes não levam isso em consideração na hora de cumprir suas metas ambientais.

Na Noruega, 37% dos novos veículos em circulação eram elétricos, um grande avanço, uma vez que em 2012 os carros movidos a eletricidade eram apenas 1% da frota. Na Alemanha esses veículos fazem parte de uma estratégia do governo para alcançar a meta de redução dos gases de efeito estuda em 40%.

Mas os esforços da Alemanha parecem não ser suficientes. Um estudo parece esclarecer o porquê: mais da metade da eletricidade consumida no país são geradas a partir fontes fósseis como carvão mineral. A conclusão foi que para o carro que abastece com eletricidade na Alemanha tem que percorrer 100 mil quilômetros até ter alguma vantagem ambiental sobre um automóvel convencional.

Outro problema importante é com a fabricação do veículo elétrico, que gera o dobro de emissões de gases do efeito estufa na atmosfera com relação a um carro com motor a combustão. As baterias são feitas de metais raros como o cobre e cobalto, cuja extração gera um dano ambiental através do desmatamento, poluição dos rios e contaminação dos solos. A produção da carroceria do carro elétrico é de alumínio, o que exige alto consumo de energia para sua produção.

Por isso é importante para países como a Alemanha levar adiante a substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis para uma eficácia verdadeira. Os carros elétricos só serão realmente 100% limpos quando a eletricidade no país for renovável. Existe uma meta a ser alcançada, que até 2035, entre 55% e 60% da eletricidade seja proveniente do sol, vento, água e biomassa em todo o país.

Claro que os carros elétricos podem ajudar na diminuição dos gases do efeito estufa e ajudar os países a cumprir suas metas ambientais perante o mundo, mas devem-se acelerar os esforços para que toda produção de energia, um dia, seja limpa. A tecnologia deve seguir evoluindo, tanto na fabricação das baterias dos veículos e na sua reciclagem para que torne uma opção ainda mais eficaz e limpa.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: