Resíduos da cana-de-açúcar como fonte de energia renovável

 

O Brasil é o maior produtor de cana e açúcar do mundo. Desde o período colonial a cana faz parte da cultura na economia do país, e recentemente vem conquistando cada vez mais o mercado externo, com a produção do biocombustível como gerador de energia. Segundo dados, em relação à safra de 2014/15, o Brasil teve um aumento de 3,2% na produção de cana-de-açúcar.

Com números tão altos de produção da cana, é esperado que esse setor enfrente problemas com geração de resíduos vindos dos processos industriais. O bagaço é um dos resíduos, produto da extração do caldo da cana, processo usado para fabricar álcool e açúcar, e que pode ser usado como uma fonte de energia renovável.

Sua produção pode chegar a 280 quilos por tonelada de cana moída que podem ser usados como uma alternativa de combustível para geração de calor pela sua queima. O bagaço também pode ser usado na construção civil, na fabricação de papelão, na ração de animais e como fertilizante. Mas ele ainda é mais utilizado na cogeração de energia, onde é queimado para produção de vapor que vai acionar geradores elétricos, e o único resíduo restante são as cinzas, que é um agente poluidor, mas menos impactante.

Outro resíduo da produção de cana é a torta de filtro, que é obtida das impurezas retiradas nos processos de floculação, decantação e a filtragem da cana-de-açúcar, e apresenta muita umidade, teor de matéria orgânica, fósforo, cálcio, magnésio e nitrogênio, o que faz dela um ótimo fertilizantes do solo.

A palha é um dos principais resíduos da cana, obtido a partir da colheita da cana crua, onde são produzidos cerca de 200 quilos para cada tonelada de cana colhida. Já a vinhaça é um líquido derivado do processamento do álcool nas usinas, de temperatura elevada e com vários nutrientes como o potássio, enxofre, nitrogênio, sendo um ótimo fertilizante. Ela pode ser usada como co-gerador de energia, a partir da biodigestão anaeróbica.

Esse potencial energético não deve ser desperdiçado. Pesquisas mostram que houve um acréscimo de 4,1% no consumo de energia no país, um equivalente a 11,3 milhões de toneladas de petróleo. Além disso a energia elétrica gerada por fontes hidráulicas diminuiu devido a menor oferta hídrica.

A maior parte da energia consumida no Brasil vem de fontes não-renováveis, e cerca de 42,4% vem de fontes renováveis. A importância da energia renovável é enorme diante dos resultados de preservação do meio ambiente. Temos vários recursos disponíveis a nosso favor, como o sol, o vento, os cursos d’água e a biomassa, que devem ser usados principalmente para produção de calor e eletricidade. São tecnologias viáveis que contribui para uma produção de energia sustentável.

O potencial de geração de energia vindo da cana-de-açúcar é enorme, com destaque para a vinhaça, que usa a biodigestão anaeróbica, que traz benefícios como a redução de custos de tratamento, redução de carga orgânica do efluentes para sua aplicação no solo, neutralização do pH, e possibilidade ao efluente ser manejado para aplicação porfertirrigação.

Podemos ver que precisamos sempre de estudos sobre o potencial energético e de novas tecnologias que possam aumentar nossa eficiência energética de fontes renováveis. Os resíduos da cana-de-açúcar podem ser altamente prejudiciais ao meio ambiente, mas ao invés disso, está sendo usado ao seu favor.

 

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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