Bióloga mineira transforma bitucas de cigarro em porta-copos

 

A reciclagem é um dos principais instrumentos para a redução de resíduos no mundo. Ela faz parte do três R’s, reduzir, reutilizar e reciclar. No Brasil já temos o hábito de reciclar grande quantidade de papel e até 100% das latinhas de alumínio. É claro que esse hábito deve estar presente nos nossos hábitos domiciliares, e também presente nas políticas públicas, e na consciência geral do nosso país.

Por isso é de extrema importância quando cientistas se dedicam a estudar e inovar nas formas que podemos preservar o meio ambiente através da reciclagem. Todo material a nossa volta é útil de alguma forma, e quase todos eles podem ser reutilizados ou reciclados para inúmeros objetivos. Pensando nisso, a bióloga mineira Bárbara Sales, de 26 anos, desenvolveu uma pesquisa para conseguir transformar bitucas de cigarro em porta-copos.

O trabalho foi apresentado na 7° ExpoCatadores em Belo Horizonte, evento organizado pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis em 2016. Sua pesquisa começou como trabalho de conclusão de curso no Centro Universitário Newton Paiva, quando ela coletou bitucas pelas ruas da cidade e em alguns coletores instalado por ela em bares.

Em seguida ela deixou as bitucas de molho em um componente químico por cerca de sete dias. O material então foi submetido a um cozimento a 200 graus até virar uma massa. Depois foi feito um processo que deixou as partículas mais homogêneas, e então ocorre a secagem e a confecção do porta-copo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, por volta de 5,8 trilhões de cigarros foram consumidos só em 2014 e o Brasil é o maior mercado latino-americano. As milhões de bitucas jogadas diariamente nas ruas causam inúmeros problemas ambientais. Afinal uma bituca contém mais de quatro mil substancias tóxicas e podem demorar até cinco anos para se decompor. Nesse tempo, o material contamina os solos até chegar ao lençol freático.

Conhecida como a capital dos bares e botecos, a capital mineira foi o local ideal para a pesquisa de Bárbara. Segundo a bióloga, o público fumante frequenta bares e se esses estabelecimentos oferecerem um produto feito do resto do cigarro que ele consome, esse público poderia se conscientizar e parar de jogar bitucas nas ruas de forma inadequada.

A pesquisa ainda está em andamento. Bárbara não tem patrocínio e ainda usa os laboratórios da Newton Paiva, onde está analisando se existem toxinas no porta-copo e como retira-las, e ainda como adicionar resistência ao produto final. O objetivo é que o porta-copos possa ser comercializado em bares.

Em São Paulo estudantes de administração da Escola Técnica Estadual de Heliópolis já tinham descoberto em 2013 com transformar bitucas de cigarro em pasta de celulose ou papel semente. Já a empresa TerraCycle tem um projeto na Espanha, Canadá e Estados Unidos que transformam os restos do cigarro em produtos plásticos, incentivando estabelecimentos a enviar gratuitamente as bitucas pelo correio.

Essa iniciativa tem um grande significando para a transformação do Brasil em um país mais sustentável. O governo e empresas devem investir em pesquisa para reaproveitamento de mais materiais que possam ser úteis para os fabricantes e para o consumidor. A reciclagem deve ser feita com o meio ambiente como principal motivador, e o lucros gerados para as empresas deve servir como incentivo para empresas.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: