A utilidade do lodo do esgoto

 

O crescente volume de resíduos no mundo gera uma série de problemas ambientais, e um dos mais graves é o lançamento de diversos resíduos às nossas águas, sejam subterrâneas ou os rios e mares. A urbanização rápida e desorganizada contribui largamente para o problema, por incentivar o aumento do consumo e das atividades agroindustriais, os maiores geradores de resíduos.

Estes resíduos intensificam a poluição dos sistemas aquáticos e põe em risco as atividades que dependem dessa água. As redes de coleta e tratamento de efluentes devem aumentar urgentemente, já que é um dos maiores problemas que o país enfrenta, onde apenas 42,67% do território tem tratamento de esgoto, gerando uma série de problemas ambientais e de saúde.

Uma forma de controle da poluição é a reutilização de águas residuárias, pois assim evitaria o lançamento de esgotos nos corpos d’agua. Eles dependem da capacidade de autodepuração dos corpos hídricos, que tem tido dificuldades de assimilar ao crescimento populacional de indústrias. Por isso foram surgindo diversas técnicas de tratamento para reduzir o efeito dos efluentes no meio ambiente. Uma vez restauradas, as águas podem encontrar novos usos, sem contaminar o meio.

Na zona urbana, a tendência é o aumento das estações de tratamento de esgoto, as ETE’s, para o tratamento de água após seu uso, e transforma-la em água de qualidade compatível com seu uso previsto. Como resultado há uma grande quantidade de lodo de esgoto, que é o último resíduo do ciclo urbano da água. Ele também é um problema ambiental grave, pois é um resíduo que tende a aumentar em todo o mundo.

O que ocorre é que quando o lodo de esgoto passa por um tratamento e um processamento ele passa a ter utilidade na agricultura de modo seguro para o meio ambiente. Isso porque ele possui nutrientes, como potássio e fósforo, que são ricos em matéria orgânica e ainda condicionam o solo, atuando em sua estrutura. Esses benefícios permitem a reciclagem desse material, substituindo adubos químicos e gerando menos impacto no meio ambiente.

A parte problemática é a disposição final do lodo resultante do tratamento da água, pois envolve aspectos técnicos, econômicos, ambientais e legais. É preciso garantir que o lodo seja de boa qualidade, pois muitos apresentam percentual de patógenos e metais prejudiciais ao meio ambiente, e que ele seja reciclado ao máximo possível. O lodo pode ser empregado não só na atividade agrícola, como também na atividade florestal, no reuso industrial, na conversão em óleo combustível e na recuperação de solos.

Entre os inúmeros tipos de destinação e tratamento do lodo do esgoto está a incineração, que reduz o volume de resíduos e permite aproveitamento energético, mas que não elimina os metais pesados, por isso deve ser disposto em aterros; a recuperação de áreas degradadas, condicionando o solo; o landfarming que apenas degrada o lodo por meio de microrganismos e retém os metais na camada superficial do solo. Existe também a utilização do lodo como biofertilizante que permite o aumento da produtividade das culturas e redução do uso de fertilizantes minerais, e muitas outras alternativas que devem ser analisadas as vantagens e desvantagens de acordo com o objetivo do seu uso.

Ainda são poucos os usos do lodo de esgoto, já que ainda é um processo em fase de desenvolvimento e estudos, mas que vem tendo grandes avanços nos últimos anos. É imprescindível a continuidade das pesquisas e a revisão da legislação para que sempre possamos avançar e dar continuidade em projetos de proteção ao meio ambiente.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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