Porque devemos nos preocupar com uma possível extinção de abelhas

 

No final de 2016 foi anunciado pelo governo dos Estados Unidos que sete espécies de abelhas foram adicionadas à lista de espécies em processo de extinção. Cada país tem seus critérios de avaliação quanto ao nível de ameaça de extinção de animais, e essa foi a primeira que o país incluiu abelhas em sua lista.

Entre as causas de extermínio do inseto, foram citadas as formigas exóticas, perda de habitat nativo devido à introdução de plantas exóticas, empreendimentos imobiliários, e o uso indiscriminado de agrotóxicos.

Apesar de os Estados Unidos apresentar uma situação alarmante, com perda de 30% de sua população de abelhas, o problema é mundial. E o problema é bastante grave, pois as abelhas são as principais polinizadoras de frutas e vegetais da natureza, carregando pólen de centenas de espécies de frutas e vegetais entre as plantas, fecundando-as.

Caso elas não fizessem esse trabalho, nossa alimentação seria completamente diferente e algumas frutas teria sua produção tão reduzida, que poderia virar artigo de luxo. De todas as espécies vegetais no mundo, 73% são polinizadas por algum tipo de abelha, como, por exemplo, os brócolis, a maçã, a goiaba, o limão, a manga, morango e o pêssego.

No Brasil, estudos mostram que a biodiversidade e a polinização estão ameaçadas pela expansão das áreas de produção e intensificação da agricultura. Foi evidenciado uma queda nos agentes polinizadores, as abelhas, tanto silvestres quanto domesticadas, em todo o mundo. Outra causa impactante é a perda e fragmentação dos habitats naturais, além de outras ainda não totalmente compreendidas.

Estudos da Europa e Estados Unidos apontam para a impossibilidade de atribuir colapsos de abelhas a um único fator. Por isso é importante esclarecer como esses fatores afetam as abelhas, dependendo do local, fazendo uma pesquisa maior sobre os organismos das diversas espécies, sua abundancia, distribuição e diversidade genética e fatores prejudiciais, como agrotóxicos, alimentos e clima.

A situação do Brasil é preocupante, visto que um terço do território nacional já foi convertido para produção agrícola, levando a perda de grandes áreas de vegetação natural. Mas como o país é conhecidamente um grande consumidor de agrotóxico, é preciso mais pesquisas nessa área, sobre as consequências a longo prazo.

O que já se sabe sobre a queda da população de abelhas, é que nenhuma doença causa impacto tão forte como foi visto, apenas intoxicações. Mas ainda é difícil, no Brasil, saber com precisão pela falta de registros oficiais e o desconhecimento de moléculas possivelmente envolvidas em casos de perdas em massa de colônias.

Nos Estados Unidos, uma das principais causas do problema foi tido como os compostos químicos chamados neonicotinóides, usados em agrotóxicos e que são letais para insetos. Desde 2014 para o governo americano afirmou estar tomando medidas para a proibição dos neonicotinóides, medida já tomada pela União Europeia em 2013. Já no Brasil, uma portaria de 2013 define que, exceto em períodos de floração, plantações de trigo, soja, cana e arroz podem ser pulverizadas com neocortinoides, contanto que notifiquem apicultores com 48 horas de antecedência.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: