O reaproveitamento do óleo de cozinha

 

Os resíduos sólidos são um dos maiores problemas para o meio ambiente e os seres vivos. Por isso, a conscientização quanto a hábitos sustentáveis tem aumentado e se tornado parte da nossa rotina. As principais atitudes que podemos tomar em nossa residência é consumir menos, reciclar mais e reutilizar sempre que possível. Mas existem materiais que se tornam difíceis de reciclar, pela sua composição, pela falta de destinos apropriados para a coleta seletiva ou mesmo pela simples falta de informação.

Um desses resíduos difíceis de lidar é óleo de cozinha. Eles contem ácidos graxos, que tem um papel importante na nossa nutrição e está presente praticamente em todas as casas. Os óleos e gorduras são insolúveis em água e pode ter origem animal, vegetal ou até microbiana. Mas o que fazer com o óleo depois de utilizado? O seu descarte incorreto pode causar sérios danos ao meio ambiente.

Por exemplo, se jogado no ralo da pia da cozinha ele pode provocar entupimento das tubulações nas redes de esgoto, aumentando os gatos para tratamento em até 45%. Além disso, um litro de óleo que vai para o corpo hídrico contamina cerca de um milhão de litros de água – a mesma quantidade de consumo de uma pessoa em 14 anos! O óleo não se mistura à água, ficando na sua superfície, o que dificulta a entrada de luz e impede a oxigenação da água, causando um desequilíbrio ambiental.

Muitas pessoas põe o óleo em garrafas PET, mas se forem descartadas em lixeiras comuns, não previne a contaminação. No aterro sanitário ocorre a infiltração e contaminação do lençol freático. O óleo deve ser enviado, então, para reciclagem, em empresas ou ONGs que fazem a coleta seletiva. Depois de pesquisas realizadas nos anos 90, começou-se a valorizar a coleta seletiva de óleos de fritura, que passou a ter valor social e ambiental. Os ambientalistas chegaram à conclusão que não existe modelo de descarte ideal de óleo, e só o seu reaproveitamento pode beneficiar o meio ambiente.

Um dos produtos do reaproveitamento dos óleos de cozinha é o biodiesel. Este é uma alternativa de combustível barata e que não emite tantos poluentes quando o petróleo e seus derivados. Além disso, óleo pode ser usado para fabricação de tintas, sabão, detergente, amaciante, glicerina, sabonete, ração para animais, lubrificante para carros e outros. Uma das vantagens do sabão produzido com óleos, é a economia de água. Como este sabão não produz tanta espuma, não há necessidade do uso de muita água.

Sempre precisamos ter consciência do descarte adequado dos mais variados materiais, e o óleo é só mais um deles. Pequenos hábitos incorretos podem causar um impacto gigante no meio ambiente e a reciclagem é a solução mais eficaz. Deve existir, para tanto, um investimento maior em estruturas, fiscalização e monitoramento do descarte desses óleos, como uma ação preventiva de problemas nas redes de esgoto e nos cursos de água. Dados indicam que os órgãos municipais recebem cerca de 600 chamados mensais para casos de esgotos entupidos por óleo ou gordura. Por isso, pense duas vezes antes de descartar seu óleo de cozinha: a melhor solução para o meio ambiente é também a melhor solução para você e sua família.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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