Hidrogênio, a energia do futuro?

 

Segundo pesquisa divulgada durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP22) de Marrakech em 2016, o mundo emitiu cerca de 36,3 gigatoneladas de CO2 na atmosfera, uma quantidade preocupante, levando em consideração que vários países têm reunido esforços para a redução do aquecimento global.

Pensando nisso, grandes empresas europeias e asiáticas, como a BMW, Honda, Shell e Toyota, criaram o Hydrogen Council, ou seja, Conselho do Hidrogênio, para promover o hidrogênio como energia limpa, com o objetivo de alcançar as metas do Acordo de Paris, que é manter o aquecimento global abaixo de 2°C. Para entendermos se essa mobilização é uma boa ideia, precisamos entender o que é o hidrogênio.

O gás hidrogênio tem sido considerado o combustível do futuro, já que é uma fonte de energia inesgotável, renovável e não poluente. Desde o início da década de 90 vem surgindo um interesse em energias limpas que possam acabar com a dependência do petróleo e eliminar emissões de carbono. A grande vantagem do hidrogênio é que sua combustão resulta somente em água, ao contrário do dióxido de carbono que emite gases gerados na queima de petróleo.

O hidrogênio é o elemento mais abundante na terra, mas não surge naturalmente em seu estado livro. Ele deve ser separado de outros elementos como o oxigênio, nitrogênio e carbono, e ser usado em sua forma molecular, hidrogênio gasoso. Assim, ele passa por um processo de manufatura através da eletrólise da água, a reforma catalítica de compostos orgânicos e os processos biológicos.

O que deve ser levado em conta na escolha do gás hidrogênio como combustível é de qual matéria prima ela é produzida. Hoje, a maior parte do hidrogênio produzido vem de reações do gás natural ou de frações de óleo com vapor a elevadas temperaturas. Isso quer dizer que a tecnologia convencional exige consumo imediato ou indireto de combustíveis fósseis, que, como sabemos, emite gases do efeito estufa.

Mas o hidrogênio também pode ser produzido através do método físico-químico e biológicos. O método biológico em especial vem se destacando pois ele gera menos gastos: ele gasta menos energia, é feito em temperatura ambiente e pode ser produzido por fermentação da matéria orgânica como resíduos renováveis agroindustriais que contem carboidratos. É uma solução sustentável e que dá um uso para os resíduos sólidos industriais que seriam um risco para o meio ambiente.

Tem surgido muitas pesquisas nesse sentido principalmente para transformar o hidrogênio em combustível para veículos. É uma alternativa que abre portas para um futuro sustentável. No caso, o gás hidrogênio pode ser produzido por meios renováveis, como a energia solar ou eólica, ou ainda através da gaseificação do bagaço da cana-de-açúcar.

Em São Paulo já circula, desde o ano passado, ônibus de transporte coletivo movidos a hidrogênio, desenvolvidos através de uma parceria entre a Pnud, o MME, a ABC e a Emtu/SP. O Brasil já tem a vantagem de apresentar uma diversidade de recursos naturais renováveis, representando 45% de toda matriz energética do país. Isso contribui para a introdução gradual do hidrogênio como uma fonte de energia, beneficiando a economia, as tecnologias e o meio ambiente.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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