Moradores devem ficar atentos ao depositar seu lixo nos pontos de coleta

 

É comum ver nas ruas de algumas cidades problemas com o deposito de lixos em seu ponto de coleta. Vemos sacos de lixos nas calçadas das ruas, posto de forma inadequada, muitas vezes pela falta de lixeiras, ou até mesmo, por descaso e falta de conscientização da população quanto a gravidade do problema. Uma vez que o lixo é posto na rua, muitos transtornos podem acontecer, gerando problemas de saúde pública.

Muito desse problema vem do excesso de lixo gerado nas áreas urbanas nas últimas décadas. O volume de resíduos sólidos nas cidades tem aumentado, não só devido ao crescimento da população urbana, mas também ao aumento de alimentos industrializados, o que também aumenta bastante o número de embalagens e afins no lixo doméstico. Segundo o IBGE, cada habitante brasileiro produz em média 1,2 quilogramas de lixo por dia, o que se multiplica pelos 190 milhões de habitantes.

Como parte das etapas do seu gerenciamento, o lixo gerado é retirado das casas devidamente acondicionados e são depositados em pontos de coleta, que muitas vezes não possuem nem lixeira, o que o deixa completamente exposto ao ambiente e a problemas de espalhamento por animais e chuvas fortes. Entre as consequências destes problemas está a poluição visual, mal cheiro, entupimento de bueiros e poluição de rios. E quanto mais tempo esse lixo fica exposto nas ruas, maior a chance de animais de ruas o espalharem.

Um problema menos visível causado pelo lixo nas ruas, é a transmissão de doenças, tendo o pombo um grande potencial de transmissão. Os pombos urbanos podem transmitir inúmeros protozoários e bactérias responsáveis por causar doenças humanas como diarreia, giardíase, anemia e prurido anal. Soma-se a isso a transmissão de Toxoplasma gondii, pois esse protozoário está na carne dos pombos e ficam vulneráveis aos gatos que eventualmente os caçam. Há ainda os problemas com os ratos, que podem viver debaixo dos lixos, em buracos causados na terra, causando problemas de saúde pública.

Os hábitos das pessoas mostram que elas não têm consciência da quantidade de lixo que produzem, causando a geração descontrolada de lixo, bem acima do necessário. Os habitantes parecem se incomodar com a situação, mas não tomam atitudes concretas para resolver o problema. Isso mostra falta de conscientização ambiental e é aí que entra a educação ambiental, que pode mudar comportamentos intrínsecos na população. É importante que os habitantes se organizem e criem soluções para os problemas de saúde pública locais.

Para resolver ou minimizar esse problema, uma opção é educar os moradores para que utilizem os pontos de coleta de lixo corretamente. É aconselhável que se coloque o lixo domiciliar para fora nos dias e horário em que o caminhão da coleta passa em seus respectivos bairros. Com isso, o lixo ficará menos tempo exposto diminuindo a probabilidade de ele ser espalhado, e assim, evitando problemas sérios de saúde pública.

Soluções fáceis e baratas podem ajudar na mudança de hábitos, facilitando as ações dos moradores, como a simples divulgação de informação. Podem ser feitos cartazes com os horários em que os caminhões de coleta passam nos bairros da cidade e fotos do lixo espalhado com intuito de sensibilizar as pessoas. Além disso podem ser criados panfletos com o mesmo conteúdo do cartaz para facilitar a distribuição para os moradores para que esses tenham em suas casas para consulta. É importante também diálogo constante, discussões sobre o problema e soluções propostas.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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