Controle de pragas sustentável

 

O Brasil é líder mundial no setor do agronegócio, mas isso vem acompanhado pelo fato de que é também líder mundial no uso de agrotóxicos. Essa é uma má notícia para o meio ambiente e para a saúde humana. Vejam bem, os pesticidas são tóxicos, e danosos a todos os seres vivos, mesmo o que estão autorizados pelas autoridades brasileiras.

O meio ambiente sofre de várias maneiras, já que os agrotóxicos contaminam o solo, os lençóis freáticos, rios e lagos, e podendo entrar no ciclo da água, fazendo que a água da chuva e até o sistema de irrigação das plantações se contaminem. Os inseticidas, tipo de pesticida que afetam especificamente insetos, larvas e ovos, por exemplo, são bioacumulativos, ou seja, mesmo depois que o animal contaminado morre o composto continua em seu corpo, o que faz com que contaminei outro animal que por ventura se alimentar dele.

Os pesticidas também não são bons para os produtores, pois contribui para o empobrecimento do solo, reduzindo a eficiência da fixação de nitrogênio realizada por micro-organismos, aumentando a necessidade de fertilizantes. As pragas também pode se fortalecer através da “seleção natural”, fazendo com a necessidade por novos agrotóxicos aumente cada vez mais.

Os agrotóxicos também podem afetar o homem de várias formas, e a mais abrangente é quando a população consume produtos contaminados. Mas ainda há sérios riscos para quem trabalha na fabricação do composto e quem o aplica na plantação. As consequências são gravíssimas, indo desde problemas neurológicos, câncer, até transtornos do déficit de atenção com hiperatividade em crianças. Segundo a Abrasco, Associação Brasileira de Saúde Coletiva, 70% dos alimentos in natura que consumimos estão contaminados por resíduos de pesticidas. Para piorar o problema, a Anvisa afirmou que 28% dos agrotóxicos usados no Brasil contêm substâncias não autorizadas.

Controle Biológico de Pragas

Dentro deste cenário, há uma demanda crescente por alternativas que atendam às exigências dos consumidores e ambientalistas. O controle biológico de pragas surgiu como uma opção e tem conquistado o mercado aos poucos. A ideia é controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais. Entre eles estão insetos benéficos, predadores, parasitoides e microrganismos, como fungos, vírus e bactérias. Dessa forma, o controle de pragas não deixa resíduos nos alimentos e não causam impacto negativo no meio ambiente e na saúde de animais e humanos.

A opção mais viável dentro da nossa realidade é o controle biológico inserido no manejo integrado de pragas. O Projeto de lei do Senado n°679 de 2011 criou a Política Nacional de Apoio ao Agrotóxico Natural e o decreto n° 7794 de 2012 instituiu a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Esses esforços estão abrindo espaço para uma agricultura mais sustentável.

Segundo a Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o mercado de produtos de controle biológico foi aproximadamente de U$ 70 milhões, tratando uma área de cerca de 8 milhões de hectares por ano. Parece muito, mas isso corresponde a 2% da venda do mercado de agrotóxicos sintéticos. Quem atua no setor biológico, geralmente, são empresas pequenas e médias, e cada vez mais, empresas grandes que trabalham com sintéticos buscam uma parcela desse mercado desenvolvendo biopesticidas, pensando em uma perspectiva de negócios no mercado.

Ainda precisamos de mais pesquisas para criar oportunidades para a inovação e aumentar a competitividade na agricultura, tudo isso pensando no impacto ambiental e uso sustentável dos seus produtos. O mercado de controle biológico das pragas deve duplicar ou até triplicar nos próximos dez anos no mundo todo, e com ele deve aumentar também oportunidade de aperfeiçoamento dos seus processos.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: