Andar de bicicleta realmente ajuda o meio ambiente?

 

Quando o assunto é transporte sustentável, logo se pensa nas opções coletivas, como ônibus e metrô. Apesar de serem importantes para o funcionamento das cidades, existe uma alternativa ainda mais ecológica e benéfica: a bicicleta.

Eleita pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o meio de transporte ecologicamente mais sustentável do planeta, a bicicleta está cada vez mais presente entre os brasileiros. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 7% a utilizam como o transporte principal no Brasil e não só como lazer ou atividade esportiva. Mas como andar de bicicleta pode ajudar o meio ambiente?

Entre os maiores problemas enfrentados pelas sociedades hoje são os efeitos do excesso de CO2 e outros gases na atmosfera, na qualidade do ar e na qualidade de vida, como, por exemplo, o efeito estufa, a chuva ácida e o aumento de doenças respiratórias. Nesse sentido, os veículos automotores representam uma grande fonte de emissão de poluentes, gases do efeito estufa e outros componentes dos combustíveis fósseis. De acordo com a ONU, 70% das emissões de gás carbônico das grandes cidades provém de carros e motos. A bicicleta se apresenta como uma solução limpa e econômica para essa situação, pois ela não necessita de combustíveis.

Outro ponto importante de se ressaltar na comparação entre carros e bicicletas é a diferença de energia e de materiais usadas na fabricação de cada uma. Carros precisam de grandes energias para a fabricação e suas partes são de difícil descarte e manipulação, além de serem altamente danosas para o ambiente, tais como: plástico e espuma para os assentos, petróleo para os pneus, assim como as baterias e óleos de manutenção. Além disso, veículos automotores necessitam de gasolina para o funcionamento, o que gera um impacto no consumo e na exploração de petróleo.

A bicicleta sai na frente também no quesito da mobilidade urbana. O Departamento de Trânsito de Munique fez um experimento em 2001 para demonstrar como o espaço urbano pode ser ocupado por diferentes meios de transporte. O experimento consistia em ocupar a mesma rua com três disposições diferentes: o mesmo número de pessoas dentro de um ônibus, cada uma com um carro e cada uma com uma bicicleta. Umas das conclusões foi que o carro ocupa o espaço de aproximadamente 42 bicicletas. Ou seja, a bicicleta como um meio e transporte na cidade é essencial para evitar os congestionamentos de trânsito e, ao mesmo tempo, diminuir a emissão de gás carbônico.

Cabe ressaltar que os carros não são os grandes vilões, e sim o seu uso em excesso. Em uma pesquisa feita em 2015, a ONU contabilizou que o número de carros, vans, caminhões e ônibus no mundo é de 1,3 bilhão e estimou que em 2050 esse número ultrapasse 2 bilhões. Essa estimativa é muito preocupante para a saúde, a mobilidade e para o meio ambiente nos grandes centros urbanos. Dessa forma, faz-se necessário pensar sobre sistemas de transporte mais saudáveis, eficientes e sustentáveis. E uma das repostas possível é a bicicleta.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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