Construções sustentáveis, menos impacto no meio ambiente

 

A construção civil tem evoluído em seu papel sustentável, com novas tecnologias que promovem uma melhoria na qualidade de vida dos residentes, adequando o uso de recursos naturais para tirar melhor proveito do local, clima, características culturais e necessidades humanas.

Para que uma construção seja sustentável, ela deve ser construída com um plano que pense na economia de água, energia, reciclagem do lixo, e ainda com o uso de materiais sustentáveis de construção e em seu reaproveitamento. Dessa forma, é possível a redução do uso de iluminação artificial e aparelhos de resfriamento.

No entanto, a construção civil ainda precisa de melhorias em nosso país. Aqui ela é responsável pelo consumo de 40% dos recursos extraídos e pela geração de 60% dos resíduos sólidos urbanos. A construção civil também faz uso em larga escala de madeira nativa, o que é um fator que pesa bastante no desmatamento de grandes áreas brasileiras. Outros dados revelam que da energia consumida globalmente, 40% vem dos edifícios. Eles ainda são responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa em países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A arquitetura bioclimática é uma ferramenta importante para resolver essas questões e diminuir o impacto causado no meio ambiente pelas edificações. Ela leva em consideração o local do projeto arquitetônico, usando os recursos da natureza, como sol, vegetação, chuva e vento, para construir uma edificação sustentável, que não agrida o meio ambiente e tire proveito do potencial energético limpo.

Segundo estudo, a edificação sustentável tem cinco pontos indispensáveis: eficiência energética, uso racional de água, materiais de construção sustentáveis, conforto ambiental e acessibilidade. A maneira de ter um gerenciamento de água sustentável depende do potencial do local, e envolve sistemas de reutilização de água através da captação de agua da chuva pelas calhas do telhado, que pode ser usada em outro momento para atividades diárias como rega de jardins, lavagem de calçadas e carros, e outros.

Na questão energética temos a energia solar, que converte o calor do sol em energia útil, seja para a produção de eletricidade usando os painéis fotovoltaicos ou de calor para o aquecimento da água, através dos coletores solares. A energia solar tem várias vantagens: é renovável, não polui, as centrais precisam de pouca manutenção, e os painéis solares estão ficando cada dia mais potentes e mais baratos, tornando esse sistema mais acessível. No Brasil, todas as regiões são favoráveis à energia solar, desde que o equipamento seja bem implantado.

Uma opção é fazer o telhado verde, onde a laje ou telhas são cobertos com gramas ou plantas. Os benefícios são inúmeros: ele promove o aumento da biodiversidade, limpa a água da chuva reduzindo a poluição, diminui a temperatura do micro e macro ambiente externo, promove o conforto térmico e acústico para ambientes internos, ajuda a preservar o prédio o protegendo da amplitude térmica, e muito mais.

O uso de tijolo de solo cimento também é uma grande vantagem no processo de construção, diminuindo em até 50% do tempo de execução da obra, e ainda reduz custos de transporte e energia, já que ele pode ser feito no próprio canteiro de obras. Esse tipo de tijolo ainda evita o desperdício de matéria, já que ele tem aparência lisa e dispensa o reboco. E durante sua fabricação não há queima de madeira ou óleo combustível, pois são compactados a frio.

Lembrando que as construções sustentáveis devem levar em conta seu entorno e interagir de acordo, fazendo melhor uso do seu relevo, clima, humidade do ar, vento e outros. Como qualquer medida sustentável, a colaboração deve vir de todos, e por isso é muito importante que os moradores tenham comportamentos e hábitos sustentáveis e que faça bom uso das novas tecnologias.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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