A incineração e alternativas de tratamento atmosférico

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Ao longo dos anos, com o aumento dos resíduos sólidos urbanos, inúmeras soluções e tecnologias foram criadas e estudadas como alternativa de tratamento e reaproveitamento do lixo. Um desses métodos é a incineração, que usa a decomposição térmica a uma temperatura superior a 1000 graus na presença de oxigênio com objetivo de volatilizar, promover a combustão e destruição de compostos orgânicos alterando sua natureza física química e biológica.

Esse processo reduz drasticamente o volume dos resíduos de um aterro sanitário, destruindo grande parte dele e transformando-os em cinzas. A incineração também pode gerar energia, o que acontece em grande escala na Alemanha e outros países europeus.

Esse método pode parecer uma solução viável, que ajuda a resolver o problema de vários países que tem seus aterros sobrecarregados, e poucas alternativas viáveis de resolver o problema. Porém, a incineração emite alguns compostos considerados carcinogênicos e cancerígenos, como por exemplo as dioxinas e os dibenzofuranos, que tem causado uma grande discussão sobre o quão aceito esse método deve ser.

Vários países desenvolvidos se opõem fortemente ao uso da incineração, como os Estados Unidos, Canadá, França, Nova Zelândia e Polônia, com base em vários estudos que apontaram contaminação do meio ambiente e seres vivos em seu entorno. O consenso é que deve-se dar prioridade para a redução da geração de resíduos e a reciclagem, mas no entanto, para alguns tipos de resíduos, a incineração é o melhor tratamento.

Mas existem alguns sistemas de proteção atmosférica, que podem fazer da incineração um tratamento mais limpo, apesar de bem mais caro. Entre os tratamentos com remoção de particulados está o Ciclone, um sistema de coleta que usa a força centrífuga sobre as partículas para possibilitar a coleta, empurrando a partícula na direção das paredes do ciclone, afastando-as do fluxo gasoso. Esse processo tem várias vantagens como, por exemplo, ter baixo custo, ser simples, de fácil construção e manutenção e inexistência de temperatura de gases que seja limitante. Mas ela pode não ser tão eficaz com partículas inferiores a 5 µm, e ainda tem maior facilidade de entupimento.

O método Filtro de Mangas é mais flexível quanto ao tamanha das partículas. O fluxo de gás carregado de partículas é forçado através de um meio poroso, filtros de tecido. Mas apesar da sua eficiência elevada, é um método de alto custo, alto espaço requerido, tem necessidade de limpezas frequentes e é pouco resistente a elevadas temperaturas.

Já o sistema Lavador Venturi é um dos mais utilizados que funciona fazendo o gás carregado do material particulado passar por uma aspersão de gotas, com as quais se chocam, e se depositam por difusão, também agindo como núcleo de condensação de água, consequentemente, aumentando de tamanho, o que tornando sua coleta facilitada.

Em tratamento de gases temos o sistema Torre de Enchimento, que mantem um contato íntimo entre o soluto e o solvente através de um fluxo em contracorrente de fluidos, através de um enchimento cujo material e forma devem favorecer uma maior área superficial. Esse método é muito utilizado em incineradores de injeção líquida pois é o único que apresenta baixos teores de particulados, que podem entupir os materiais de recheio.

Outro método de tratamento de gases é a Torre de Atomização, que é um lavador de gases que usa um processo de absorção do gás para a remoção de poluentes. Ele é bastante recomendado para efluentes gasosos com partículas e poluentes gasosos independente da temperatura e teor de umidade.

Existem diversos outros tratamentos para cada tipo de situação e resíduos, dos quais os especialistas devem estudar sua viabilidade e eficiência. Apesar de serem tratamentos dispendiosos, em alguns países funciona,  o que pode servir de exemplo e teste para novos casos de sucesso.

 

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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