A água para consumo está acabando. E agora?

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Enfrentamos grandes problemas ambientais na atualidade, mas um dos maiores é a eminente escassez de água que está previsto para assolar o mundo. Nosso planeta tem grande abundancia de água, mas apenas 0,02% é composto de água potável. É uma porcentagem pequena, e apesar de ser um recurso renovável, o seu mau uso faz com que ele não seja inesgotável.

Segundo o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos, o planeta deve enfrentar um déficit de 40% no abastecimento de água até 2030 – isso se não tomarmos medidas drásticas na gestão dos nossos recursos atuais. Nos últimos anos já temos visto sinais de que a escassez de água está se acentuando, com reservatórios trabalhando com um volume de água com limite bem abaixo do normal, principalmente na região sudeste.

Mas nosso consumo de água está longe de diminuir, pelo contrário, a previsão é que em 2050 haja um aumento da demanda hídrica mundial de 55%. A maior parte dessa água deve suprir a necessidade do setor industrial, dos sistemas de geração de energia termoelétrica e dos usuários domésticos. Hoje existem cerca de 139 bilhões de metros cúbicos de água no mundo, segundo a ONU.

Mesmo com nossas reservas de água sendo exploradas excessivamente, cerca de 768 milhões de pessoas não tem acesso à água tratada. Além disso, 2,5 bilhões de pessoas não têm condições sanitárias satisfatórias e 1,3 bilhão não tem acesso à eletricidade. De todos os problemas ambientais do mundo, esses são os mais básicos e essenciais para uma condição de vida saudável. Segundo a Unicef cerca de 2,4 milhões de pessoas morrem todos os anos por falta de saneamento básico e higiene devido a desidratação e desnutrição por doenças diarreicas e parasitárias.

O Brasil, que tem a maior porcentagem de água doce do planeta, apresenta 28 mil mortes por ano devido a fatores relacionados à qualidade e disponibilidade de água e à falta de saneamento. O país está ainda entre o que mais registram estresse ambiental após alterar o curso natural de rios, com consequências desastrosas para o ecossistema.

Existem maneiras como evitar um agravamento da crise hídrica? Primeiro temos que conhecer a causa desses problemas. Além de um mau gerenciamento de política públicas voltadas aos problemas, e fatores climáticos ou físicos do território, uma das principais causas é falta de conhecimento e sensibilização da população. É preciso reforçar a educação dos cidadãos em relação aos riscos que vamos enfrentar e aos hábitos de consumo da água.

O desperdício é um dos maiores problemas sendo que cerca de 40% da água tratada é perdida em vazamentos nas redes de distribuição nas grandes cidades brasileiras. Outro problema é que 80% dos recursos hídricos disponíveis são usados na agricultura, e a demanda por maior produção de alimentos cresce cada vez mais. Segundo o relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos hídricos, a agricultura deve aumentar em 60% a produção de alimento até 2050 e o problema hídrico deve agravar.

Além da escassez, as águas também enfrentam problemas relacionados a sua qualidade. Em Minas Gerais, por exemplo, todos os rios de grande porte sofrem poluição doméstica, industrial e, principalmente, agrícola.  Diante desse problema, é preciso evitar a todo custo a contaminação desses poucos mananciais, evitando o lançamento de lixo e aumentando o tratamento de esgotos municipais e industriais.

O Governo deve elaborar ações preventivas antes dos tempos de escassez. Os problemas de distribuição também são bastantes evidentes, já que grande parte da população não é atendida por serviços de saneamento. A ocupação territorial desordenada é uma das causas. A ocupação de forma irresponsável acaba poluindo ainda mais, aterrando ou desviando nascentes e pequenos córregos.

Para conseguirmos pôr em ação medidas que vão frear o problema da falta de água no planeta, é preciso a ação conjunta do governo e da população, com ações preventivas e que foquem no não desperdícios da população e das indústrias.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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