O Lixo no Mundo

reciclar-mundo-sartori

 

Não há desenvolvimento sustentável sem a gestão e o descarte correto de resíduos sólidos. O mundo inteiro está na corrida para a redução do lixo e para obter alternativas eficazes e viáveis para diminuir o impacto que o excesso de resíduos causa do mundo. O total de resíduos sólidos da população urbana no mundo é de 1,3 bilhões de toneladas por ano, ou seja, 1,2kg por dia para cada habitante das cidades. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, esse valor deve aumentar para 2,2 bilhões de toneladas até 2025.

O país que mais gera lixo é o Estados Unidos, que apresenta mais de 2,5 kg de resíduos produzidos por cada pessoa, em média, em um dia. A Noruega também produz o mesmo nível que os EUA e a Itália vem em terceiro, com 2,23kg por pessoa. A maioria dos países têm previsão de crescimento nesses valores, com destaque para a China, que deve aumentar em três vezes sua quantidade atual de 520 milhões de toneladas.

O problema é bastante complexo, uma vez que a classe média mundial tem crescido, elevando os hábitos de consumo que atualmente são nocivos ao meio ambiente. Segundo dados da Parceria Global sobre Gestão de Resíduos, realizado no Japão, as necessidades básicas dos seres humanos, como água potável e segurança alimentar, estão sobre ameaça por causa de gestão inadequada de resíduos. Para piorar a situação, o sistema de coleta e reaproveitamento de lixo é um dos serviços públicos mais dispendiosos do mundo.

E os países que são exemplos de reciclagem e reaproveitamento? A Alemanha é o país que apresenta os índices de reaproveitamento mais elevados do mundo, e tem um ambicioso objetivo de zerar o envio de resíduos para aterros sanitários (o índice já é menor que 1%) e recuperar completamente os resíduos sólidos com alta qualidade. E isso está perto de ser concretizado: O país recicla 63% de todos os resíduos urbanos, enquanto a Europa como um todo tem um índice de 25%. Para comparação, no Brasil esse índice é de 4%. E quanto ao lixo não aproveitado, 8 em cada 10kg são incinerados, gerando energia.

O sucesso da Alemanha é resultado de um processo cultural sustentável que beneficia a sociedade de diversas maneiras, como por exemplo, gerando empregos na cadeia produtiva de resíduos. Além disso a indústria alemã compra cerca de 13% dos seus produtos feitos com material reciclado. A Universidade também prepara os profissionais, oferecendo formação em gestão de resíduos e outros cursos técnicos. O enraizamento dos hábitos vem desde o século XIX, quando já se cobravam taxas municipais de coleta do seu lixo e a população já dispunham de vasilhames para acondicionamento correto do lixo. O resultado é que hoje só existem 200 aterros no país, enquanto que em 1970 existiam mais de 50 mil!

Outro exemplo de gerenciamento de resíduos sólidos é o Japão, que tem o desafio de ter uma grande população numa área territorial relativamente pequena. A densidade populacional do Japão chega a 337 hab/km. Desde 1970 o país vem investindo em iniciativas, e hoje existe um sistema moderno voltado para a redução, reciclagem e reaproveitamento do lixo. A poluição gerada pelas usinas de incineração foi reduzida em 98% desde 1997 ao investir na geração de energia a partir do lixo. Em Tóquio existe uma dessas usinas que processa 200 toneladas de lixo todos os dias, abastecendo energia para a própria cidade.

O Japão também conseguiu resolver o problema do plástico como material não biodegradável e de grande volume ao investir no reaproveitamento de materiais, conseguindo reduzir em 90% o uso de novos plásticos ao produzir garrafas pet com resina reciclada.

O caso da Suécia também é interessante fazer uma investigação, pois é uma experiência de sucesso de coleta e lixo à vácuo-pneumática. Todas as residências apresentam lixeiras conectadas a uma rede de tubos que conduzem o lixo, a uma velocidade de 70 km por hora, para uma área de coleta e de lá o lixo é sugado e levado para o local de acumulação de resíduos, local onde ocorre a coleta seletiva. O lixo então é enviado para reaproveitamento, compostagem ou incineração.

Como já comentei aqui antes, as vantagens são imensas: a pessoa pode depositar o lixo a qualquer momento, há uma redução de caminhões de lixo, e por isso menos poluição do ar, e ainda há uma redução de gastos no serviço de coleta.  Mas é claro que também há desvantagens, como o custo para ter essa infraestrutura, que pode se tornar inviável para países subdesenvolvidos.

Muitos países estão se esforçando para fazer sua parte, e dedicam grande parte do orçamento público com ações que priorizam o saneamento básico e a saúde pública. É importante conhecer modelos ao redor do mundo, assim como entender a fundo nossa realidade e ponderar qual o melhor caminho a seguirmos em busca de um saneamento sustentável.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: