Educação Ambiental no Ensino Fundamental

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A forma mais eficaz de se obter uma mudança num país é através da educação. Desde a infância o aprendizado deve oferecer ferramentas para o pensamento crítico e para o nosso desenvolvimento social. Sendo assim, os educadores têm uma responsabilidade imensa com nossas crianças e precisam incorporar a educação ambiental como um dos pilares para o desenvolvimento sustentável no planeta.

Então, precisamos nos indagar, quais a mudanças devemos fazer no ensino para haver um trabalho de prevenção quanto ao excesso de lixo no Brasil e como lidar com os problemas ambientais gerados por ele. Todo desenvolvimento tem consequências para o meio ambiente, uma vez que extraímos matéria-prima da natureza e geramos resíduos sólidos todos os dias. Mas devemos recorrer ao pensamento sustentável para impactarmos cada vez menos nossa qualidade de vida, e preservarmos a fonte de vida para as gerações futuras.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cada um de nós gera cerca de 500 gramas a 1 quilo de lixo por dia, o que gera uma média de 90 milhões de toneladas em todo o país todo ano. E o destino desse lixo é altamente problemático com 76% dele sendo jogado ilegalmente em lixões, sem nenhum tratamento e cerca de 13% nos aterros controlados. Ou seja, pouco mais de 10% do nosso lixo vai para locais apropriados, os aterros sanitários, e recebe tratamento adequado.

A educação ambiental entra como uma solução de vários problemas em nossas vidas, mas tem uma importância muitas vezes subestimada pela educação brasileira. Intervenções feitas com crianças do ensino fundamental, como por exemplo um projeto de coleta seletiva nas escolas, cria uma conscientização e molda hábitos que vão além do espaço escolar. Com um processo contínuo desse trabalho, o aluno tem condições de levar seu aprendizado para seu lar e para o seu futuro.

Para criar hábitos ambientalmente saudáveis, é preciso aprender na prática e a escola pode contribuir significativamente para a formação de cidadãos capazes de atuar na nossa situação socioambiental, com suas pluralidades de aspectos. Os alunos devem compreender que as questões ambientais envolvem não só o ambiente físico, mas também aspectos sociais, econômicos, políticos e históricos, e construir uma visão integrada desses temas.

Quando a escola propõe discussões e incentiva o aluno a refletir, ele abre oportunidades para a criação de novas soluções para os problemas em sua comunidade. E isso é de extrema valia para um futuro com inovações e com desenvolvimento limpo. Os projetos escolares devem envolver o aluno dentro e fora da escola, com abordagens que integrem a conscientização com várias áreas do conhecimento. Se feito de um modo amplo e contínuo, a educação ambiental vai direcionar toda uma sociedade a uma exploração dos recursos naturais de uma maneira sustentável.

É importante que as práticas escolares foquem na redução, reutilização e reciclagem dos resíduos sólidos, para sensibilizar desde já quanto o valor de um consumo sustentável, da reutilização dos seus objetos em casa e da separação seu lixo, e assim estes hábitos se tornam uma parte grande da vida das pessoas.

Estudos acadêmicos mostram que muitas escolas fazem trabalhos ligados ao meio ambiente no Brasil, mas nem todas discutem ou aplicam a educação ambiental de modo transversal. Isso ocorre porque os professores não recebem motivação, capacitação ou entendimento quanto a importância do tema nas escolas. Além disso, existem impedimentos financeiros e estruturais e comprometimento para projetos duradouros.

Uma solução pode ser a parceria entre centros de pesquisa e as escolas, já que os professores ainda têm dificuldade de pôr a educação ambiental em prática. A formação dos professores também é de extrema necessidade. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, todas as disciplinas podem dar uma perspectiva diferenciada a questão do meio ambiente, o que possibilita inúmeros trabalhos dentro da temática, oferecendo uma nova visão do assunto estudado.

Portanto, a educação ambiental precisa de incentivo continuo e educadores capacitados e que tenham tempo e interesse em realizar projetos ligado ao assunto. Hoje as escolas possuem poucos trabalhos práticos e precisam de pesquisadores e educadores ambientais para que a educação ambiental seja efetiva e viável, e que derrubem as dificuldades dos professores em estudar questões ambientais dentro do programa da sua disciplina.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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1 Resultado

  1. 4 de abril de 2017

    […] ferramentas mais poderosas para mudança em direção à hábitos mais sustentáveis. Já expliquei aqui a importância de uma educação ambiental nas escolas, tanto na educação básica, quando nas […]

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