Agrotóxico, o vilão invisível

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A utilização de agrotóxicos tem crescido bastante no Brasil: o crescimento foi duas vezes maior do que a média mundial na última década, segundo a Anvisa. Toda nossa agricultura hoje usa herbicidas, fungicidas e inseticidas para o controle de pragas nas plantações. Os benefícios parecem irresistíveis, já que seu uso permite que a produtividade agrícola cresça e acompanhe a necessidade de alimentação da população, combatendo diversas pragas que assolam as plantações. Porém, o uso de agrotóxicos tem consequências devastadoras a longo prazo e os efeitos podem ser irreversíveis.

O Brasil é o país que mais aplica agrotóxico no mundo, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Todos nós consumimos agrotóxicos e não temos nenhum controle sob a quantidade desses produtos nos nossos alimentos. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 67% dos alimentos testados em um estudo, comuns no nosso dia-a-dia, apresentaram resíduos, dos quais 40% contêm agrotóxicos não autorizados ou acima do limite máximo.

No meio ambiente, os agrotóxicos causam danos aos solos, flora e fauna próximas às plantações, causando desequilíbrio na natureza. As pragas podem aumentar e a produtividade agrícola diminuir, causando uma espiral que se torna insustentável. O solo fica empobrecido, já que o veneno reduz a fixação de nitrogênio realizada nos microrganismos, causando o aumento do uso de fertilizantes. O uso contínuo dos agrotóxicos resulta no surgimento de pragas cada vez mais fortes, fato que exige a manutenção da produção de produto.

Mas os riscos não param por aí. Um dos maiores efeitos dos pesticidas é a contaminação dos sistemas hídricos. Os lençóis freáticos subterrâneos podem ser atingidos pelo veneno através da lixiviação da água e da erosão dos solos; e pior, podem atingir locais longe das agriculturas, já que as água se intercomunicam. A contaminação das águas tem um impacto negativo forte. A água se torna imprópria para o consumo, mas ela ainda é usada pela população local e também por toda população abastecida por essa água.

A população fica exposta aos riscos de saúde sem ao menos perceber alguma mudança na sua rotina. O uso de agrotóxicos está ligado a problemas neurológicos, como Mal de Alzheimer e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade em crianças. Dependendo do pesticida, os riscos podem variar de gravidade, podendo causar desde irritações na pele até câncer. Além disso, os trabalhadores agrícolas, cerca de 12 milhões, estão expostos todos os dias aos danos diretos dos pesticidas. E o próprio trabalhador muitas vezes ignora as práticas adequadas de manejo e uso dos agrotóxicos.

Os avanços tecnológicos permitiram que os agrotóxicos se modificassem e se adaptassem melhor as diversas plantações. Mas a consciência científica quanto aos danos ao meio ambiente e a saúde humana está apenas engatinhando. A busca por alternativas se torna especialmente importante no Brasil, já que somos a nação número um em dependência dos agrotóxicos. Existem opções disponíveis que os agricultores podem recorrer, como os biopesticidas, feitos de substancias naturais ou de plantas modificadas geneticamente e microrganismos.

A população, porém, não tem informações suficientes para escolher os alimentos que consumem de acordo com sua origem. A melhor opção é comprar suas frutas e verduras de pequenos produtores que as cultivam de forma orgânica, isto é, livre de pesticidas. É interessante se informar também de formas mais eficazes de lavar seu alimento, usando detergentes naturais feitos de vinagre, bicarbonato, limão e outros.

A pressão popular é importante para que mudanças sejam feitas nas leis e principalmente impor um rigor maior no controle do uso inadequado de pesticidas. Apoie campanhas e se informe sobre suas opções. Nós, consumidores, podemos mudar este cenário aos darmos preferencias a alimentos que atendem a critérios socioambientais adequados.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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