Queimadas, um problema longe de ser resolvido

queimadas

 

O impacto ambiental das queimadas e incêndios urbanos ou florestais é fonte de preocupação para os especialistas e para a sociedade em geral, pois interferem no equilíbrio da biodiversidade e na saúde e segurança da população.

A prática da queimada é autorizada pela Ibama para fins agrícolas, como forma de utilizar o fogo de forma controlada para a limpeza de áreas a serem usadas para agricultura ou pecuária. Existem critérios técnicos que não permitem que o fogo se alastre, evitando incêndios florestais, isto é, quando o fogo acontece de modo acidental e de difícil controle, e podem estar em regiões de difícil acesso ou reservas nacionais.

As queimadas prejudicam o solo, o ar, as águas, os mananciais, a flora e a fauna, trazendo desequilíbrio para o ecossistema, o que fere várias leis ambientais. Além disso, a ONU comprovou que grande porcentagem da emissão de dióxido de carbono na atmosfera no Brasil vem das queimadas – o suficiente para colocar o Brasil na lista dos dez maiores poluidores do mundo. Segundo o INPE, o período que o Brasil é mais acometido por queimadas é entre o mês de junho e novembro, em todas regiões com maior ou menor intensidade.

O objetivo do agricultor ao realizar a queimada é controlar as pragas, limpar áreas de plantio, renovar pastagens e facilitar na colheita da cana-de-açúcar. Porém, além desses benefícios imediatos, existe o lado ruim, em que a dinâmica do ecossistema fica comprometida. Entre os malefícios das queimadas estão o aumento da erosão do solo, a queda da qualidade do ar o risco de danificar patrimônio público e privado. O solo ressecado também impede o processo de infiltração da água da chuva que vai para o lençol freático.

A prática da queimada agrícola é cultural e vem de milhares de anos, e ainda é a solução mais viável para limpar e deixar o solo mais produtivo a curto prazo. Porém ela interfere na biodiversidade, mata as plantas e animais, e microorganismos fundamentas para o equilíbrio ecológico. As queimadas diminuem a fertilidade dos solos, prejudicando muito as lavouras, e ainda comprometem a qualidade da água, pois podem destruir as matas ciliares que fazem parte da proteção do rio e riachos. Há, então ocorrência de secas e baixa umidade do ar.

As pessoas podem tentar diminuir esses danos ao não pôr fogo no lixo doméstico e fazer aceiros ao realizar queimadas em áreas rurais – essa atividade exige autorização ambiental! Existem várias formas que as queimadas nas cidades podem ocorrer, e quase sempre é um fogo criminoso ou acidental. Muitas vezes são pontas de cigarro deixada em terrenos baldios, ou limpeza de lotes ou queima do lixo doméstico.

Neste caso, os danos à população são bem maiores e o principal deles é qualidade do ar que fica prejudicada com a fumaça e a fuligem, causando problemas respiratórios, como asma e rinite. O fogo também faz com que espécies saiam do seu habitat natural, levando cobras, escorpiões, aranhas e ratos às residências.

O desafio ainda é desenvolver técnicas que possam substituir as queimadas para limpar o lixo e lotes, e os terrenos para plantio, já que na nossa região ainda é a solução mais usada e acessível para todos.  O governo deve pensar na saúde do meio ambiente e incentivar e trazer soluções viáveis e concretas ao agricultor aliadas a políticas públicas. As leis ambientais devem ser seguidas rigorosamente, e para isso deve existir uma boa fiscalização delas.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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