Pecuária sustentável reduz emissão de Gases de Efeito Estufa

pecuaria-sustentavel-sartori

 

O aquecimento global é um dos maiores problemas ambientais enfrentados na atualidade em todo o mundo. Estamos vivenciando mudanças drásticas no clima e muito disso está ligado com a ação do homem, principalmente pela exploração ligadas a práticas econômicas. No Brasil, vários fatores liberam CO2 e contribui para esse fenômeno, como a indústria madeireira e os automóveis, mas o fator que mais contribui para o aquecimento global, segundo pesquisa do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, é a pecuária.

O desmatamento, feito para abrir espaço para as pastagens, é a principal fonte de emissões de CO2, com cerca de 774 milhões de toneladas só em 2014. Em seguida vem as emissões do metano na digestão do gado e da decomposição de fertilizantes usados no solo, com 358 milhões de toneladas de CO2. Mas como reverter esse problema sem prejudicar a economia?

Existem soluções viáveis que devem ser colocadas em prática tanto pelos produtores quanto pelas empresas e órgãos dos governos estaduais e federal. Vejamos, o problema está espalhado pelo Brasil, principalmente nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná e São Paulo, e ele vem, certamente, de muitas décadas de problemas como especulação fundiária, baixa produtividade no campo, e ocupação desordenada do território.

A emissão de gases do efeito estufa foi crescendo no Brasil junto com a expansão da pecuária. Na década de 70 as emissões eram concentradas no Sudeste e foi crescendo junto com a expansão agrícola passando para o centro-oeste, principalmente o Mato Grosso, uma das principais fronteiras agrícolas do mundo. Mais recentemente novas áreas agrícolas surgiram no Norte, principalmente no Pará, Acre e Rondônia. É estimando que em 2023 o rebanho nacional deve aumentar em 11%, isso significa cerca de 225 milhões de cabeças de gado que devem ser alocados nos estados amazônicos, aumentando o desmatamento na região e as emissões de gases do efeito estufa.

A solução mais adequada é que as terras já usadas se tornem mais eficientes, promovendo a recuperação das pastagens já em usos e degradadas, para assim evitar novos desmatamentos. Os produtores devem ter cuidados com o solo e a água e o processo deve ter mais assistência técnica, abandonando antigos hábitos e trazendo novas técnicas que evitem a degradação ambiental. Com essas práticas, as pastagens devem estocar uma boa quantidade de carbono no solo, e compensará as emissões de metano do gado. Segundo estudos da Imaflora e do Observatório do Clima, se esse objetivo for atingido, o Brasil poderá reduzir pela metade as emissões de gases do efeito estufa pela agropecuária em 15 anos.

Segundo pesquisas do Instituto Centro de Vida, em parceria com a Empraba, feitas em fazendas de baixa produtividade, boas práticas agropecuárias podem reverter esse cenário. A mudança de comportamento promovidas pelo estudo trouxe técnicas que permitiram recuperar áreas degradadas, e assim ter um capim mais forte e com nutrientes para um gado mais saudável; construir bebedouros e impedir que o gado paste em áreas de preservação permanente em busca de água em rios e fontes – a disponibilidade de água faz com que o gado ganhe 29% a mais de peso diário.

Também foi feito a rotação de pastagem para que o capim descanse e cresça com vigor. Ajuda a preservar o meio ambiente e aumenta a lucratividade. Ainda é difícil abandonar uma cultura tão enraizada ao longo de décadas e adotar um novo modelo produtivo. É preciso assistência técnica para os pecuaristas e programas de incentivo que ajudem a mostrar que um modelo mais sustentável é também o melhor negócio.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: