Matas ciliares ajudam na qualidade da água dos rios

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A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou um estudo que mostra a relação direta entre maior cobertura vegetal e melhor qualidade de água ao longo da Bacia do Tietê. Isso porque foi constatado que restam apenas 7% de cobertura florestal da Mata Atlântica na bacia hidrográfica do Tietê, mas nos únicos 30 pontos com qualidade de água boa, a cobertura vegetal passa a ser mais de 40% do território do município ou do entorno.

Sim, a vegetação tem um grande impacto na qualidade das águas! O depoimento da coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica esclarece essa relação. “Para que a gente consiga enfrentar os impactos das mudanças climáticas não basta o saneamento, a gente precisa das matas ciliares. A falta de mata compromete a capacidade de armazenamento de água dos rios e os torna mais vulneráveis”, declara.

As matas ciliares ficam às margens dos rios, lagos, nascentes e servem como sua proteção, assim como os cílios dos olhos. Elas têm a estrutura de uma floresta, mas apresenta também arbustos, cipós, e é considerada “área de preservação permanente” pelo Código Florestal Federal.

Sua preservação é importante já que sem a mata ciliar pode haver escassez de água. Isso ocorre porque a mata ciliar faz com que a água infiltre nos lençóis freáticos. A mata ciliar também age como um filtro. Ela estabiliza as taludes e encostas através de uma manta protetora que impedem a erosão causada pela chuva e pelo escoamento superficial. Sem essa proteção, as chuvas carregariam todo material para o leito do córrego causando o assoreamento dos rios. Portanto a vegetação também deixa a água mais limpa, facilitando a vida aquática.

A vegetação também faz sombra nos rios, isso ajuda a regular a temperatura e a umidade do ar. Desta forma a oxigenação é favorecida e o estresse dos peixes reduzidos. A mata contribui também com troncos, restos de galhos e folhas nos rios de modo que formam degraus de piscina, fornecendo cobertura, alimento e habitat aos organismos aquáticos.

As matas ciliares têm ainda inúmeros benefícios para a preservação do meio ambiente e devem ser mantidas para uma boa qualidade da água, solo e ar. O estudo da Fundação SOS Mata Atlântica trouxe outros dados sobre o rio Tietê. Segundo o relatório, entre agosto de 2015 e 2016 o trecho considerado morto do rio diminuiu 11,5% em relação ao ano anterior e recuou para 137 quilômetros. Mas ainda não são números bons: em 2014 a mancha anaeróbica, onde o índice de qualidade da água varia entre ruim e péssimo, ocupava apenas 71 quilômetros.

A importância das matas ciliares é só um dos motivos para a preservação da Mata Atlântica. Esse bioma é um dos mais ricos do mundo em biodiversidade e também o mais ameaçado, com cerca de 8,5% de suas florestas originais. Além disso, a maioria dos animais e plantas ameaçados de extinção no Brasil vem da Mata Atlântica. Não por acaso, o bioma também abastece água para mais de 100 milhões de pessoas, além de ter belíssimas paisagens. A Mata Atlântica ainda garante estabilidade geológica do seu território, evitando grandes catástrofes, que podem ter consequências não só ambientais, mas também econômicas e sociais.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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