Sintropia: como aplicar este conceito para se obter uma agricultura sustentável

sintropia

Lendo um semanário nacional1 há alguns dias, me deparei com um artigo curioso. O material publicado, relativo à necessidade de produção crescente de alimentos, discutia como esta atividade tende a ocupar o lugar de florestas naturais, empobrecendo ou destruindo tais ecossistemas terrestres.  O que me chamou a atenção, naquele texto, foi a menção a uma alternativa ecológica de convívio entre o natural e o antrópico, ou seja, entre a floresta e a exploração produtiva do solo. Segundo os autores da reportagem, a alternativa se chama “agricultura sintrópica”.

Procurei me informar mais a respeito desta tal de sintropia, palavra nova para mim, que descobri, apresenta conceito interessante, e é de fácil compreensão. Basicamente a sintropia discute, defende e verifica a possibilidade de os sistemas vivos se organizarem espontaneamente, como forma de resistir à sua natural tendência à degradação (ou morte).

Aplicado à agricultura, transforma-se em um modelo de manejo de solo e cultivo vegetal, que “organiza” a degradação de cada planta, individualmente, aumentando ao máximo todos os ganhos que o solo e os seres que nele habitam possam aferir a partir desta degradação, ou por outro lado, reduzindo as perdas de recursos do sistema.  Desta forma, os métodos aplicados neste modelo de exploração de recursos, podem dispensar a adoção de técnicas tradicionais que importam recursos de fora do ecossistema, tais como água de irrigação, adubos e até agrotóxicos.

O modelo também garante, na sua aplicação, que ao invés de se remover a vegetação nativa para plantar grandes extensões de uma mesma espécie vegetal, a exploração deva ser feita plantando-se conjuntamente diferentes espécies de interesse produtivo. Dessa forma a produção é constante. Esse sistema funciona porque existe uma lógica por trás da escolha das espécies que irão dividir um canteiro, de modo que uma se beneficie da outra.

Uma das grandes vantagens é a economia de água – o seu consumo pode ser até 75% menor do que o modelo tradicional de produção. A irrigação é necessária no começo, porém ao longo do tempo a necessidade vai diminuindo e a frequência pode passar de várias vezes por semana até apenas uma vês ao mês.

Segundo especialistas, a agricultura sintrópica ajuda a restabelecer a fertilidade do solo devido a recuperação da biodiversidade. Além disso, há redução de perda de energia, pois há menos exposição do solo ao sol. O sistema também traz um equilíbrio ecológico natural, que age naturalmente no controle de pragas e doenças. E como resultado, o produto apresenta qualidade nutricional superior ao que estamos acostumados.

A agricultura sintrópica é uma alternativa fantástica para se ter uma colheita mais saudável, natural, e resolver problemas como falta de espaço e aumento de consumo. Porém é um método ainda bastante desconhecido e ainda há carência de capacitação técnica para replicar tal conceito. Para maiores informações, disponibilizei um vídeo em meu canal do YouTube, que explica muito bem toda essa ideia. Espero que goste.

 

1 Revista Veja, Ed. Abril, ed.2494, 07/09/2016.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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