Sacolas compostáveis x sacolas oxibiodegradáveis: qual a solução certa para Belo Horizonte?

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Em 2011, Belo Horizonte era a primeira capital brasileira a abolir por lei a sacola plástica de todo o comércio. Alvo de polêmica, a opção se tornou um tiro no pé. Em matéria para o Jornal O Tempo, eu, Hiram Sartori, e outros profissionais da área explicamos porque a sacola de plástico compostável é uma má ideia.

Feita de amido de milho, a nova sacola foi feita para se biodegradar em 180 dias, mas segundo o diretor da Res Brasil, Eduardo Van Roost, a sacola compostável só seria adequada se existisse coleta seletiva e usina de compostagem em Belo Horizonte. “O que estamos fazendo é jogar comida no lixo”, afirmou. De acordo com ele, que estuda plástico há mais de 12 anos, o mais adequado às condições brasileiras é o plástico oxibiodegradável, que se decompõe em 24 meses e, pode ser reciclado – o que não ocorre com a sacola compostável. A sacola oxibiodegradável também é mais barata, custando 0,03; já a compostável as a 0,19, seis vezes mais cara.

Fernando Figueiredo, mestre em compostagem e gestão ambiental, concorda. “É uma tecnologia fantástica para a Dinamarca, para Alemanha, países que têm logística reversa (estrutura para recolher e destinar corretamente o lixo). Para as nossas condições, não serve”, afirma. Além disso, Figueiredo afirmou que fora da usina de compostagem, a sacola compostável se comporta de forma similar a oxibiodegradável. “Estão vendendo um engodo para a sociedade”, diz.

A opinião de Antônio Ávila, coordenador do curso de pós-graduação em engenharia mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais, é que não há justificativa para o banimento das sacolas oxibiodegradáveis. Ele afirma também que, sem a distribuição de sacolas nos supermercados, a população terá que comprar sacos plásticos para o lixo à base de petróleo. O que anularia os benefícios da nova sacola.

Eu concordo plenamente com as opiniões acima. Veja bem, aquele saco de lixo que as pessoas vão ser obrigadas a comprar é biodegradável? Não. Então iria piorar tudo. E mais: a sacola compostável, apesar de ser biodegradável, não deixa de ser plástico. No nosso cenário, ela vai se desmanchar e gerar uma porção de partículas que, alguns estudiosos argumentam, ainda é plástico. Na matéria, a própria gerente da Extrusa, fabricante da sacola compostável, Gisele Barbon, diz que o material se transforma em adubo em qualquer circunstância, mas quando destinada a aterros, como é o caso de BH, não é possível precisar o tempo de decomposição.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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