Porque é necessário o estudo da gestão ambiental de resíduos sólidos na universidade

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O curso de pós-graduação em Gestão Ambiental de Resíduos Sólidos do Instituto de Educação Continuada da PUC Minas, do qual sou coordenador, surgiu de uma necessidade de ampliar o conhecimento sobre o gerenciamento adequado de resíduos no Brasil. É urgente que ocorra a conscientização, não só da população, mas também de profissionais atuantes em diversas áreas, que podem traçar medidas e trabalhar com sustentabilidade. São profissionais como engenheiros, químicos, biólogos, médicos, educadores, consultores, administradores municipais, estaduais e federais, entre diversos outros.

Vivemos num mundo de crescimento rápido e desordenado das cidades. Isso gera poluição, miséria e o aumento do lixo. A quantidade de lixo gerada todos os dias nas cidades é gigante, e problemas como a falta de conscientização ambiental, reciclagem, problemas com a coleta, transporte e local para destino final, geram doenças, desequilíbrios ambientais e epidemias de todos os tipos. Para se ter uma ideia, o Brasil produz 241.614 toneladas de lixo por dia. Desse total, 76% são depositados a céu aberto em lixões, 13% são depositados em aterros controlados, 10% em aterros sanitários, 0,9% são compostados em usinas e 0,1% são incinerados.

Eu, Hiram Sartori, penso que o crescimento demográfico age contra a solução do problema com os resíduos sólidos. Quanto mais pessoas, mais consumo de bens materiais, e principalmente alimentos, cujo transporte leva a necessidade de embalagens. O aumento das indústrias também é um forte fator: são produzidos mais resíduos, gera maior oferta de produtos e permite o aumento do consumo. O que se percebe é que, na ausência de esforços que se oponham aos fenômenos de consumo, como por exemplo, a educação, cada pessoa produz mais lixo, em uma população que é cada vez maior. Pode-se dizer que, nestes casos, a nossa capacidade de reverter este quadro fica cada vez menor, quanto mais demorarmos a investir na participação de todas as pessoas. Isto se consegue pela mudança de atitude, que podemos provocar com a educação.

Para contribuir, cada um deve entender qual é e refletir sobre o nosso papel na ecologia global. Entender que se evita o desperdício no momento da aquisição do bem, que nem sempre precisa ser adquirido. Entender que o lixo é um problema de saúde pública, que permite e exige a participação de todas as pessoas. As pessoas podem refletir e perceber que não basta coletar e enterrar o lixo: é necessário aprendermos, e, portanto, que os responsáveis pelo gerenciamento nos ensinem, como podemos participar, de forma cidadã, trabalhando, sugerindo e cobrando.

Com as exigências das leis ambientais, o curso é essencial para a capacitação do profissional. E este curso é pioneiro no Brasil. Os educadores também poderão se capacitar para um melhor apoio a este esforço. E claro, as vantagens para os alunos ultrapassam os problemas ambientais e legais. No mercado competitivo de hoje, e com exigências para empresas serem sustentáveis, a pós-graduação em Gestão Ambiental de Resíduos Sólidos põe o profissional em destaque.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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