Estudo sugere ações simples e eficazes para uma organização de eventos mais sustentável

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Uma nova consciência ambiental surgiu ao longo do século XX e hoje vivemos com uma preocupação crescente em conhecer os impactos ambientais e em equaciona-los. Muitos problemas relacionados ao manejo dos resíduos sólidos ainda estão sem solução viável, principalmente em países em desenvolvimento, e hoje se sabe que muito dessas questões podem ser abrandadas com uma maior consciência ao gerar e ao separar esse lixo.

O estudante de Engenharia Ambiental da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, Alan Mortean, observou que, anualmente, diversos eventos técnicos e acadêmicos ocorrem na Universidade, como simpósios, semanas de cursos de graduação, congressos, cursos de qualificação profissional entre outros, que envolvem divulgação, distribuição de materiais, alimentação e transporte de pessoas, entre outros aspectos. Porém, muitas vezes a comissão organizadora ignora os impactos ambientais causados pelos eventos, como o uso de recursos naturais, água e energia, por meio dos materiais utilizados no evento, emissões de poluentes no ar devido ao transporte das pessoas, entre outros, são exemplos de impactos socioambientais. O destaque do trabalho é a geração de resíduos sólidos produzidos antes, durante e após a realização dos eventos.

Em sua monografia, Alan fez um levantamento qualitativo e quantitativo da produção de resíduos sólidos em três eventos acadêmicos com duração de cinco dias cada, ocorridos na USP, por meio da caracterização física de resíduos produzido durante coffee breaks e provenientes da divulgação e dos kits de materiais comumente distribuídos aos participantes. Com esses dados de produção de resíduos nos eventos, foram criadas estratégias de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos para eventos técnicos e acadêmicos, pautadas no princípio da prevenção à poluição. Alan notou que ações simples da comissão organizadora de um evento podem causar uma variação expressiva na geração de resíduos sólidos em eventos.

O resultado de sua análise foi que, em média, 49% dos resíduos sólidos produzidos nos eventos são oriundos da divulgação, seguidos de 36% para os coffee breaks e 15% para os kits de materiais. E o mais importante: nos três eventos analisados, pelo menos 80% dos resíduos totais gerados eram potencialmente recicláveis. Alan também notou que com ações simples, optando-se por materiais duráveis em detrimento dos descartáveis, pode-se obter uma redução de 62% na geração de resíduos sólidos nos coffee breaks ou 22% nos resíduos totais de eventos.

Com tais conclusões, o trabalho se torna bastante relevante e útil para todas universidades do país. Dessa forma, as comissões organizadoras de eventos podem se pautar por essa experiência e usar medidas simples e eficazes sugeridas por Alan, extraídas do seu trabalho:

-Ao contratado um Buffet, é importante que os organizadores o orientem quanto à política de gestão de resíduos do evento.

– Disponibilizar coletores para resíduos sólidos recicláveis, orgânicos e rejeitos, devidamente identificados e em número suficiente. Depois, garantir a destinação adequada dos resíduos para programas de coleta seletiva, compostagem e aterro sanitário, respectivamente. É importante a adoção dessa prática de separação e destinação correta dos resíduos gerados como uma forma de educar as pessoas ambientalmente.

– Incentivar o uso de canecas duráveis em detrimento de copos descartáveis por parte dos participantes. Há eventos que não disponibilizam copos descartáveis, dessa forma, os participantes trazem suas próprias canecas. A comissão organizadora pode disponibilizar algumas canecas duráveis às pessoas que esquecerem e/ou aos palestrantes, mas deve evitar ao máximo o uso de descartáveis.

– Utilizar utensílios duráveis para acondicionar os alimentos usados durante os coffee breaks. Ao invés de utilizar bandejas de papelão descartáveis, que vêm associadas a papéis e plásticos que envolvem os alimentos, pode ser feita a opção por cestas duráveis, onde os alimentos são dispostos de forma mais organizada que nas bandejas. As empresas que prestam serviços de coffee break geralmente possuem essa opção.

– Utilizar toalhas duráveis nos coffee breaks, que podem ser lavadas e reutilizadas nos próximos eventos. No caso de ser feita a opção de toalhas de tecido tipo TNT, elas também podem ser limpas e reutilizadas em próximas edições

– Os certificados podem ser entregues digitalmente aos participantes. No caso de serem utilizados certificados impressos, eles podem ser feitos durante ou após o evento, num número exato, evitando-se desperdícios.

– Optar por servir suco aos participantes, em recipientes reutilizáveis, ao invés de refrigerantes em garrafas PET descartáveis. Além de diminuir a produção de resíduos sólidos, a comissão organizadora estará melhorando a qualidade dos alimentos fornecidos aos participantes.

– Em linhas gerais, é interessante sempre optar por materiais e utensílios duráveis em detrimento de descartáveis, aplicando a prevenção à poluição.

– Atentar para a gestão dos alimentos, para se evitar desperdícios. Antes do início do evento é interessante se prever para quem serão doados os alimentos no caso de sobras.

– Preferir o uso de meios de divulgação que atinjam um grande número de pessoas por unidade. Nesse sentido, cartazes podem ser utilizados com uma ênfase maior em relação a divulgações individuais, como folders. Assim, a divulgação será realizada e menos resíduos serão gerados.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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