Empreendedorismo, sustentabilidade e mercado

sustentavel

 

Desde a Revolução Industrial, no século XIX, até a primeira metade do século XX, empresas se preocuparam mais com o lucro do que com os efeitos da sua produção no mundo. Os avanços tecnológicos cresceram em uma velocidade superior ao da preocupação com sustentabilidade e meio ambiente.

Somente a partir da década de 60 que organizações e entidades internacionais começaram a repensar a cadeia de produção e seus resíduos. Como exemplos temos as duas edições da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) chamadas também de Rio+10 e Rio+20. Temos também a Conferência de Estocolmo, de 1972, que foi o representou o começo da discussão acerca das questões ecológicas.

Dessa forma, a ideia de o que seria um desenvolvimento sustentável começou a ser criada e culminou na tríade da sustentabilidade: social, econômico e ambiental. Ou seja, seria sustentável a empresa que conciliasse lucro e crescimento econômico com justiça, bem-estar social e conservação ambiental, além de uma utilização consciente dos recursos naturais.

Dentro desse contexto, apareceu também a noção de que empreendedorismo, já visto agente de transformação social, seria também uma forma de colaborar para o desenvolvimento sustentável. Desse entendimento surgiu o empreendedorismo sustentável, que é a “descoberta, desenvolvimento e exploração de oportunidades ligadas aos nichos sociais e ambientais que geram ganho econômico e melhoria social ou ambiental” (BORGES, C.; BORGES, M. M.; FERREIRA, V. R. S.; NAJBERG, E.; TETE, M. F., 2013).

Por ser uma ideia inovadora, o empreendedorismo sustentável chamou a atenção de governos, empreendedores e pesquisadores. Para as políticas públicas, é visto como uma maneira de viabilizar o um avanço econômico sem esquecer do ambiental e do social. Já para os empreendedores, ele é visto como um possível potencializador de lucros na exploração oportunidades de negócios relacionados ao nicho ambiental ou social. E, por último, para os pesquisadores, representa uma nova área de pesquisa.

Nesse sentido,  quatro pesquisadores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas da Universidade Federal de Goiás e um da Faculdade de Tecnologia Senac de Goiás juntaram para escrever sobre três indicadores que podem ser usados como parâmetro para classificar os tipos de empreendedorismo sustentável. A tipologia proposta por eles são: o nicho de negócio explorado (ambiental ou social), a motivação da incorporação da sustentabilidade (meio ou objetivo) e a utilização ou não dos pressupostos da responsabilidade social empresarial na empresa nascente.

O primeiro parâmetro diz respeito ao nicho que os negócios pretendem explorar: ambiental ou social. No primeiro nicho, estão as atividades relacionadas a produtos eco eficientes, turismo e lazer na natureza, agricultura orgânica e extrativismo e reciclagem e reutilização. Já o segundo, são os produtos voltados para grupos com necessidades especiais, microcrédito, comércio justo e negócios com base na pirâmide.

O segundo parâmetro diz respeito às intenções do empreendedor: se as ações sustentáveis de cunho ambiental ou social serão consideradas o meio ou o objetivo. Ou seja, para uns, a meta com o negócio é o lucro, e o meio para alcança-lo é a exploração de um negócio social ou ambiental. Para outros, a proposta principal é a colaboração com o desenvolvimento sustentável, e o lucro é um benefício que ajuda a manter a empresa. Em outras palavras, os primeiros são movidos pela oportunidade e os segundos pela sustentabilidade.

Já o terceiro parâmetro diz respeito à responsabilidade social empresarial. Para os pesquisadores goianos, “o fato de criar uma empresa com base em um produto ambiental ou social, não significa necessariamente que o empreendedor agirá com responsabilidade social e ambiental” (BORGES, C.; BORGES, M. M.; FERREIRA, V. R. S.; NAJBERG, E.; TETE, M. F., 2013). Ou seja, existem empresas que trabalham com algumas das atividades listadas nos outros parâmetros, mas que não apresentam um compromisso com as práticas de responsabilidade social e ambiental.

Esses parâmetros são importantes não só na definição dos tipos de empresas, mas também para repensar e questionar algumas possibilidades que o empreendedorismo sustentável levanta. É importante agora pensar como será o futuro de empresas e negócios que nascem inseridos na lógica da sustentabilidade.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: