Disposição de lodo adensado de ETA em ETE com tratamento primário quimicamente assistido

A dissertação de Vanessa Egídio, mestranda em Engenharia Civil, na área de concentração de Saneamento e Ambiente pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas, analisou a disposição de lodo adensado de estações de tratamento de água (ETA) em estações de tratamento de esgotos (ETE) com tratamento primário quimicamente assistido e trouxe conclusões úteis para o estudo de saneamento no Brasil.

Os sistemas de tratamento para a potabilização da água ou para redução da quantidade de poluentes presentes no esgoto antes do seu lançamento em rios, englobam processos físicos, químicos e biológicos. Desses processos ocorre a geração de resíduos sólidos. Como alguns estudos apontaram para disposições semelhantes para os dois tipos de resíduos, apesar das características diferentes de cada um, a proposta deste trabalho foi a de avaliar a possibilidade de tratamento combinado desses resíduos, aproveitando as diversas vantagens de cada material e verificando os impactos que podem ser gerados no tratamento do efluente. Para alcançar o objetivo, foi avaliado o potencial de utilização de um lodo de uma ETA como auxiliar de uma ETE e apontado uma solução técnica viável para a disposição do lodo gerado na ETA, depois de ser adensado na estação de tratamento de lodo (ETL), transportado e lançado na ETE, no município de Itatiba.

Como eu, Hiram Sartori, já afirmei em publicação – e fui replicado por este trabalho – , é conveniente em qualquer gerenciamento de resíduos sólidos, antes de se buscar uma destinação para o lodo gerado nas estações de tratamento de água (ETA), adotar medidas que reduzam a sua produção e a sua toxicidade, sem que tragam prejuízos à qualidade da água tratada. Outra alternativa para disposição do lodo é o seu reuso na fabricação de produtos à base de cerâmica vermelha, o recobrimento de células de aterro, a recuperação de coagulante, como material para fechamento de valas dentre outros. Já os resíduos gerados em estações de tratamento de esgoto (ETE), após estabilização, as principais alternativas de tratamento e disposição são a compostagem, o uso em atividades agrícolas e a disposição em aterros.

Ao reaproveitar o coagulante existente no lodo da ETA, a quantidade de resíduos a ser encaminhada para disposição final adequada seria reduzida. O coagulante do lodo da ETA complementaria o coagulante comercial utilizado no tratamento do efluente bruto da ETE. Com base no trabalho desenvolvido, Vanessa afirmou que “foi possível confirmar que o adensamento de lodo em sacos de geotecido possibilita que a água deles drenada possa ser lançada em córregos, pois atende aos padrões de lançamento exigidos pelas leis vigentes; o lodo, adensado na ETL e lançado na ETE, não prejudicou a eficiência do tratamento dos esgotos quanto à remoção de carga orgânica e sólidos suspensos totais, principalmente porque o processo adotado também utiliza coagulantes. Contudo, o limitante para o aumento do lançamento é determinado pelas condições em que foram consideradas para o projeto da ETE, principalmente quanto a carga de sólidos e volume afluente”.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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