Artigo expõe deficiências na gestão de resíduos sólidos em Cuiabá

saco de lixo

 

O VIII Simpósio em Excelência em Gestão e Tecnologia teve a presença de Emília Carvalho, que apresentou seu trabalho de análise diagnóstica sobre a gestão dos resíduos sólidos em Cuiabá, Mato Grosso.  O artigo é mais uma contribuição para o estudo dos resíduos sólidos no Brasil, e que pude contribuir através dos meus trabalhos acadêmicos. O objetivo do artigo é analisar o processo de captação, seleção e descarte do lixo na cidade, demonstrando a importância da reciclagem nesta questão. A pesquisa empírica foi feita no aterro sanitário de Cuiabá.

O problema da destinação dos resíduos nas cidades vem crescendo com a urbanização acelerada e o rápido adensamento das cidades. O meio ambiente é uma preocupação do mundo todo e no Brasil a situação gravíssima, devido a ínfima presença de soluções adequadas para os resíduos sólidos. É um quadro típico dos países em desenvolvimento, que se agrava com a falta de políticas públicas ambientais, a falta de sensibilização social, e principalmente o estilo de vida capitalista.

A reciclagem é uma das alternativas que mais gera resultados positivos na mitigação dos impactos gerados pelos resíduos sólidos. A gestão de resíduos sólidos e a reciclagem não só beneficia o meio ambiente como é um negócio altamente rentável, trazendo benefícios sociais a inúmeras famílias e melhorando a qualidade de vida destas.

Segundo o artigo de Emília, o lixo domiciliar de Cuiabá é basicamente composto por 42,39% de matéria orgânica, seguido de 12% de pano, estopa, 10,78% de plástico mole e 34,33% de madeira, folhas, mato, metal não ferroso, vidro, plástico duro e papelão. A população geradora desses resíduos é de mais de 530 mil pessoas. O lixo produzido não passa por seleção de resíduos, e não existe orientação ou logística pelo poder público municipal voltado para coleta seletiva. Os dados analisados ainda apontam que 50% de lixo coletado na capital é enterrado, ou seja, o material reciclável não está sendo aproveitado. Além disso, é de conhecimento geral que o descarte de resíduos sólidos é feito no Rio Cuiabá, Rio Coxipó e seus afluentes. E pior: esses resíduos estão chegando até o Santuário Ecológico da Humanidade – o Pantanal, destruindo sua flora e fauna.

Segundo o artigo, a gestão de resíduos sólidos se constitui em três pilares: educação ambiental, políticas públicas e inclusão social. O primeiro pilar diz respeito a falta de conscientização da população para a coleta seletiva, o segundo a administração pública ainda busca adotar medidas e equipamentos necessários para realizar a coleta seletiva e o terceiro o processo de inclusão social dos catadores, que percorrem pelas ruas, em busca de materiais recicláveis para prover o sustento de suas famílias, geralmente em condições de risco.

Em Cuiabá, o material despejado nas esteiras do aterro sanitário chega todo misturado, sem nenhum tipo de separação e deve passar por uma triagem. Ao lado das esteiras há tambores, para que os catadores possam separar os materiais sólidos aproveitáveis, e descartar os materiais orgânicos que serão enterrados no aterro. Após a triagem, os tambores são levados por carrinho em outra área do barracão para serem classificados, pesados, em seguida são encaminhados para serem prensados e amarrados em fardos.

Porém, não há eficácia na triagem executada, pois apenas 5% em média de todos os resíduos que são entregues no aterro são reciclados. A triagem de resíduos misturados é um obstáculo, e é necessário um programa por meio de uma rede cooperativa solidária de coleta seletiva de matérias recicláveis e reutilizáveis. Segundo dados do IPDU 2001, a possibilidade de coletar apenas os resíduos secos, previamente separados em domicilio pelos condomínios, elevaria a taxa da reciclagem para cerca de 30% de todos os resíduos, gerando um significativo aumento na geração de renda para os cooperados, além de vantagens ambientais da reciclagem de materiais, com economia de matérias-primas, água e energia.

O trabalho toca em diversos outros pontos que vai desde a conscientização ambiental até as condições precárias de trabalho no aterro sanitário de Cuiabá.  Dessa forma, ele buscou incentivar a Administração Pública municipal a encontrar alternativas inteligentes para a questão do resíduo sólido. Ademais, deve-se buscar soluções de forma integrada com outros setores do conhecimento, utilizando-se a Educação Ambiental como meio de sensibilizar os cidadãos da importância de se conservar o meio ambiente.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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