A importância dos Catadores de Resíduos Sólidos

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Com a industrialização e os avanços tecnológicos, os bens de consumo se tornaram mais acessíveis e o descarte de papéis, plásticos, metais, vidros, embalagens e outros aumentou consideravelmente no século XXI. Isso se tornou um problema de grande peso na pauta dos gestores públicos atuais. Mas como sabemos, existe maneiras sustentáveis de lidar com tamanha quantidade de lixo no meio ambiente.

A conscientização da população e a redução da geração de lixo são algumas das opções mais eficazes que podemos aplicar. No entanto o modelo de crescimento econômico vigente hoje faz pouco para que tenhamos mais consciência da importância de um consumo menor. Dentro da lógico do lucro, porém, existem maneiras que empresas e administrações públicas podem agir de modo sustentável.

O reaproveitamento e reutilização dos resíduos sólidos tem reconhecidamente um valor econômico, ambiental e social. Ao descartar os resíduos corretamente e reaproveita-lo, é reduzido os impactos negativos ao meio ambiente, à saúde, e economiza energia, recursos não renováveis e produz renda aos que atuam nessa atividade. Se todos resíduos recicláveis fossem encaminhados para reciclagem ao invés de aterros e lixões, haveria geração de renda estimada em 8 bilhões de reais por ano na economia do país.

Tendo em vista essa nova abordagem do ciclo do lixo, que envolve produção e consumo, a atividade do catador de material reciclável aumentou consideravelmente. A ocupação existe há décadas e vem de origens complexas como a exclusão social, aumento do consumo, desemprego, e o surgimento da indústria da reciclagem. A profissão passou a ser regulamentada em 2002, com registro na Classificação Brasileira de Ocupações, cujas atividades são catar, selecionar e vender materiais recicláveis como papel, papelão e vidro, bem como materiais ferrosos e não ferrosos e outros materiais reaproveitáveis. Com a lei que determina o fim dos lixões no país, a ideia da responsabilidade compartilhada e o consequente aumento da reciclagem, o mercado do lixo só tende a acrescer.

É certo que a atividade do catador de lixo traz benefício a toda sociedade. A questão do lixo sempre será tema importante nas sociedades contemporâneas, já que a tendência é de aumento de sua produção devido a concentração da população nos centros urbanos e do aumento do consumo. Porém, a profissão de catador de resíduos sólidos ainda é desvalorizada e traz consequências negativas como aumento de trabalhadores informais, precarização do trabalho e a baixa remuneração. Segundo dados do IPEA, a maioria dos catadores no Brasil são do sexo masculino, de cor negra, com relações de trabalho informais, de baixa escolaridade, baixa cobertura previdenciária e residentes em áreas urbanas com deficiências de infraestrutura domiciliar graves. A renda média desses trabalhadores aponta para um índice de pobreza extrema em suas casas bem inferior à média geral nacional.

Ainda é preciso valorizar a atividade do catador, dar-lhes remuneração digna e melhores condições de trabalho. Sua função é peça chave para conseguirmos lidar com o problema do lixo, mas esses trabalhadores ainda são marginalizados e tem pouco acesso a requisitos básicos para uma vida saudável. Mesmo com tantos problemas enfrentados, os catadores ainda vêm buscando se organizar em cooperativas associações, redes e no próprio movimento nacional dos catadores. Isso os permite ter um maior poder de negociação com o setor público e empresarial, e assim conseguir melhorias para a categoria. Com a nova legislação que destaca a importância da reciclagem e reutilização dos materiais descartados, esperamos novas políticas públicas que favoreça uma mudança estrutural que insira os catadores na sociedade.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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1 Resultado

  1. 10 de fevereiro de 2017

    […] o aumento da conscientização ambiental na última década, a atividade de catador de material reciclável aumentou consideravelmente. Como citado na reportagem, a Associação dos […]

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