Sacolas plásticas: proibir ou não?

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A polêmica das sacolas plásticas continua: embora extremamente funcionais e úteis para a vida doméstica, é inegável que elas possuem um ponto bastante negativo. Como boa parte de nossa população não está instruída a fazer um descarte residual consciente, é muito comum que sacos plásticos abarrotem as ruas, os aterros, os rios e os demais espaços da cidade e do campo. A poluição chegou a um nível alarmante e, frequentemente, nos deparamos com notícias que ilustram o perigo do plástico para a vida e a sobrevivência de diversas espécies de animais – incluindo seres marítimos, o que nos conta muito sobre o alcance do estrago promovido por itens que nos parecem, à primeira vista, completamente inofensivos.

Pensando nisso, o vereador Arnaldo Godoy (PT) criou um projeto de lei que tem como objetivo instaurar a substituição dos sacos de lixo por sacolas de papel ou feitas de material biodegradável em Belo Horizonte. A proposta, que oferece três anos de prazo para que todos os estabelecimentos cumpram a lei, é bastante polêmica: de acordo com matéria publicada no Destak News Brasil, da qual participei, projetos de caráter similar foram arquivados na Câmara dos Deputados, em Brasília. Isso não impede, entretanto, que iniciativas similares comecem a surgir. Pelo que se sabe, projetos de lei preocupados com a questão se fazem notar em outras localidades do país periodicamente.

Na minha concepção, este é um tema que deve ser debatido e que merece, sim, toda a atenção que costuma chamar. Não finjo que não conheço a praticidade das sacolas plásticas: elas, afinal, possuem muitas funcionalidades. Quem é que não as utiliza dentro de casa, seja para descartar o seu lixo doméstico ou para guardar peças das quais não precisa no momento? O ponto é que o problema, como já comentamos, vai muito além da funcionalidade. Existe uma individualização da questão, como se escolher utilizar sacolas plásticas e descartá-las em qualquer lugar fosse, digamos, uma predileção pessoal.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABI Plast), em 2006, foram produzidas 4,17 milhões de toneladas de produtos plásticos no Brasil. 40% deste número assustador é composto por embalagens, as quais dificilmente encontram seu lugar na destino em centros de reciclagem. Como fiz questão de dizer na matéria, o acúmulo de plásticos no meio ambiente promove o entupimento de tubuluções de água pluvial, o que gera enchentes, e causa asfixia do solo. Para além disso, os metais pesados presentes em plásticos coloridos (acredite: existem embalagens com chumbo e cádmio) causam efeitos aterradores em nossos ecossistemas. É um cenário apocalíptico, de fato, e não podemos esquecer de que somos vítimas diretas desde tipo de circunstância. Podemos não engolir sacolas plásticas e morrer sufocados – como morrem tartarugas -, mas os efeitos de tamanha indiferença serão sentidos por esta e pelas próximas gerações.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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