O uso de lodo de estação de tratamento de água

pipe-688430_1920Quando falamos sobre preocupação ambiental, uma das primeiras coisas que deve nos ocorrer é a necessidade de descobrir formas de preservar fontes de água, de despoluir rios e de, num geral, encontrar meios de tratar tal fonte renovável, extremamente ameaçada em nosso atual contexto.

No trabalho “Uso de lodo de estação de tratamento de água centrifugado em matriz de concreto de cimento portland para reduzir o impacto ambiental”, de Cinthya Hoppen, Kleber F. Portella, Alex Joukoski, Eduardo M. Trindade e Cléverson V. Andreóli, onde inclusive tive um de meus trabalhos acadêmicos citado, os pesquisadores discutem sobre o fato de que, atualmente, a demanda por água potável e a qualidade estarrecedoramente ruim da água presente em rios e lagos está exigindo uma concentração maior de produtos químicos, os quais, por sua vez, geram uma maior quantidade de resíduos. A estes, denominamos lodos de ETA (Estações de Tratamento de Água).

O destino destes materiais era, anteriormente, cursos d’água próximos às estações de tratamento. Esta prática, porém, está sendo abolida: de acordo com a NBR 10.004/871 e a Lei Estadual 12.493/992, estes lodos são considerados resíduos sólidos e devem ser minimizados, reutilizados ou reciclados. Isso não é surpreendente quando pensamos que, nestes lodos, frequentemente encontramos matérias como bactérias, partículas orgânicas em suspensão, colóides, argila, cálcio, além de metais como cobre, zinco, níquel, cromo e alumínio. Os metais, como sabemos, possuem ações tóxicas e precisam, portanto, de descarte correto – ou de reutilização bem-feita.

Esta pode ser uma reflexão bastante óbvia, mas não deixa de ser necessária: todos sabem que não é fácil encontrar alternativas econômicas e viáveis para o tratamento dos lodos de ETA, mas esta dificuldade não deve fazer murcharem as nossas tentativas de criar meios inteligentes para tratar as nossas águas – afinal, a utilização benéfica destes resíduos é uma oportunidade incrível para reduzir custos e impactos ambientes. Dentre os diversos métodos para reutilizar os lodos há a possibilidade de empregá-los, por exemplo, na construção civil. A prática pode promover a diminuição do consumo de cimento e reduzir o impacto ambiental, além de promover uma economia financeira das mais chamativas.

O que o trabalho acadêmico citado nos primeiros parágrafos deste artigo foi idealizado para avaliar a possibilidade de incorporar o lodo de ETA centrifugado em compostos de cimento. Para que esta pesquisa fosse feita, foram utilizados os resíduos da ETA Passaúna, existente na região metropolitana de Curitiba, a qual é conhecida por representar o maior volume de material do estado do Paraná e que possui um sistema de purificação de água similar àquele utilizado por dezenas de outras estações de tratamento do país.

Dada a impossibilidade de discutir todo o procedimento feito pelos pesquisadores e explicar, de maneira resumida e suficientemente completa, a parte experimental e analítica dos experimentos, peço para que o leitor busque os resultados deste trabalho na página da Scielo Brasil.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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