Negócio Sustentável: reciclagem no setor industrial de embalagens plásticas

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No IX Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, ocorrido em Brasília em 2011, contou com um trabalho que contribui para a pesquisa sobre reciclagem no Brasil. Os autores são Alexandre Ribeiro, professor do departamento de Economia da UFMT; Ivana Ferrer, professora do departamento de Administração da UFMT; e Germano Freiria, químico responsável pela indústria de reciclagem Cloro MT. Mais uma vez pude contribuir para a construção de artigos relevantes para a saúde pública, através de minhas referências acadêmicas. O artigo tem o intuito de apresentar a empresa Cloro MT, localizada em Mato Grosso, que é referência na reciclagem de embalagens para uso dos seus próprios produtos, no caso, os produtos de limpeza.

Segundo os autores, é denominado resíduo sólido o material descartado, como plástico, vidro, papelão, metal e ou material orgânico que possam ser utilizados como matéria prima ou insumo para outros processos produtivos, possibilitando o reaproveitamento desses materiais.

No Brasil, a questão dos resíduos sólidos em ambientes urbanos é grave, e apresenta pouquíssimas soluções eficazes que diminua sua geração ou viabilize o seu reaproveitamento. Desta forma, surgiram inciativas partindo da sociedade civil organizada e de empresas privadas, que tentam dar um apoio aos legalmente responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos sólidos. Neste contexto, a empresa privada Cloro MT surgiu com o objetivo de produzir produtos de limpeza, mas ao longo do tempo passou a produzir suas próprias embalagens através da reciclagem de plásticos, conseguindo, assim, atender sua necessidade quanto ao volume de embalagens demandadas e ainda comercializar o excedente produzido.

O retorno conseguido pela empresa está além do valor comercial estabelecido pelo mercado. Ele também traz ganhos ambientais pois evita-se o descarte de resíduos e a necessidade de buscar novas matérias primas, além de ter um impacto social, visto que o material coletado pelos catadores se transformam em renda para uma camada social de cidadãos ainda não assistidos pelas políticas públicas.

A reciclagem é um grande aliado das empresas. Ao reutilizar material descartado, evita-se a demanda por matéria prima virgem e economiza energia, trabalho e recursos financeiros no processamento. Mas atenção: caso os resíduos sejam descartados junto a matéria orgânica ele se contamina e passa a ser denominado lixo, não tendo valor comercial ou funcional. A pesquisa mostrou que a empresa Cloro MT aborda questões sociais e ecológicas quanto a economia de energia elétrica, de diminuição do uso de matérias primas e do processo de sensibilização quanto as questões ambientais que fica caracterizada na empresa tanto pela presidência, diretoria e colaboradores.

Esse tipo de iniciativa privada é muito importante, já que o poder público, responsável pela coleta e gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos e rurais, o faz de modo ineficaz. A justificativa para a falta de cumprimento das políticas públicas acaba sendo a falta de sensibilização social, estilo de vida capitalista e consumismo. No entanto os ambientalistas alertam que o adequado gerenciamento dos materiais rejeitados pela sociedade é uma das demandas socioambientais mais urgentes da atualidade. Sendo assim é fundamental destacar as iniciativas que tentam solucionar o problema de forma criativa e eficaz.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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