Dissertação de mestrado: Avaliação dos ensaios de durabilidade do concreto armado a partir de estruturas duráveis

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Além de ter sido da banca examinadora da tese de mestrado de Cristiano Guimarães (falei sobre a tese em questão em um dos artigos do meu site oficial, de forma que você pode ler a minha breve análise na íntegra por lá), fui contemplado com a possibilidade de ser da banca de José Eduardo de Aguiar, também em 2006. Na ocasião, Aguiar era mestrando em Construção Civil e fez uma tese cujo nome era “Avaliação dos ensaios de durabilidade do concreto armado a partir de estruturas duráveis”.

Em sua pesquisa, o autor aponta para o fato de que não é incomum que encontremos estruturas de concreto armado suntuosas, porém tomadas por apressados processos de deterioração. Não é preciso dizer que, em casos do tipo, a segurança e a estabilidade destas obras nos parecem bastante comprometidas. Para Aguiar, situações como esta são motivadas pelo “desconhecimento dos processos e mecanismos de degradação, bem como pela ausência de ensaios que possam apreciar, avaliar e estimar, com propriedade, a durabilidade dos concretos” (AGUIAR, 2006, p. 16). Para além disso, ele afirma que os requisitos de controle e avaliação das estruturas permanecem sendo a relação entre cimento e água e a quantidade de cimento utilizada para criar argamassa.

Estima-se que, futuramente, mais da metade do dinheiro investido em obras públicas será gasto na tarefa de reabilitar, recuperar e tornar úteis e seguras estruturas de concreto deterioradas. Aguiar postula que esse comprometimento das estruturas tem a ver, como já dissemos, com a falta de conhecimento em relação aos processos de degradação, mas também ao rápido avanço tecnológico dos materiais utilizados nas construções (muitos materiais são adotados por serem mais econômicos e, muitas vezes, sem a devida pesquisa) e da constância da utilização de cimentos especiais – os quais são moídos e podem incorporar em seu processo diferentes matérias primas.

Com isso em mente, é preciso buscar maneiras de compreender a dinâmica entre o meio ambiente e a camada superficial do concreto, além dos agentes responsáveis pelos processos de deterioração. Diversos pesquisadores têm se dedicado à tarefa de desenvolver modelos de previsão do tempo de, digamos, “vida” do concreto, pautando-se em conhecimentos acerca dos mecanismos do processo físico de deterioração. Embora tenhamos vários trabalhos e teorias sobre o tema hoje, nenhum deles é aceito de forma categórica por nenhum órgão ou corporação. Aguiar, portanto, direciona o seu trabalho não no sentido de acrescentar novos métodos, mas no sentido de investir e avaliar os ensaios de durabilidade utilizados atualmente, buscando uma resposta plausível e uma verificação dos ensaios mais apropriados para testar a durabilidade do concreto.

Uma vez que a pesquisa feita neste trabalho de conclusão do processo de especialização é deveras extensa – o material final possui 173 páginas, devidamente editadas -, me é impossível falar sobre todos os aspectos e discussões que ocorreram durante a produção da tese até o momento em que ela chega ao seu ápice, na conclusão. Deixo aqui o convite para que o leitor interessado na temática busque a tese de Aguiar, confira os resultados de seus testes e busque a imersão nesta atmosfera brilhante.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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