Debate na Rádio CBN: Empresários, moradores e prefeitura precisam trabalhar juntos na gestão de resíduos sólidos

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No último dia 17 passei pela rádio CBN para um debate sobre a gestão de resíduos sólidos em Belo Horizonte. Foi uma conversa relevante entre eu, Hiram Sartori e Nícia Mafra, gestora de projetos socioambientais, onde pudemos falar da situação atual da capital mineira, os avanços alcançados ao longo dos anos, e o que ainda falta para termos uma cidade mais ecologicamente correta.

Como foi apurado pela CBN, a prefeitura recolhe 806 mil toneladas de lixo por ano e apenas 5% desse total é destinado para reciclagem, segunda a SLU. A porcentagem está estagnada por uma falta de meta de assumir um compromisso com outro valor. A administração municipal deve traçar novas metas, mas não apenas isso – a colaboração de toda sociedade é imprescindível para a evolução da gestão de lixo. Como afirmou Nícia Mafra, responsabilidade é o conceito mais inovador da política, e ela deve ser compartilhada.

Segundo Mafra, Belo Horizonte tem uma estrutura para fazer triagem, composta de cooperativas de catadores que estão estruturadas, que são responsáveis pelo processo de triagem. Porém, para fazer o material chegar até essas cooperativas é preciso do uso da coleta seletiva nas residências, e é aí que trombamos com problemas como a falta de incentivos e formas de coleta. O alto custo da estrutura para coleta seletiva inviabiliza que todos os bairros tenham esse benefício. A gestora alerta, porém, que é importante que as pessoas continuem separando o lixo seco do orgânico. “Quando separamos aquilo que é reciclável, estamos valorizando como recurso, é matéria prima que não pode ser desprezada. Nós temos um planeta já com um limite ultrapassado e as pessoas não valorizam aquele material como matéria prima, inclusive recurso que gera renda”, afirma Nícia.

Mesmo com a falta de coleta seletiva em todos os bairros, salientei que o cidadão deve ter um nível de engajamento que não dependa da estrutura que a prefeitura oferece. Ele sabe que deve separar o lixo, e a prefeitura incentiva que a pessoa procure por centros de coleta espalhados pela cidade. Como Nícia destacou, a mudança de comportamento é o principal fator dessa mudança nesse caso. “O movimento das empresas em comprimento a política nacional é de instalar os postos de entrega voluntária, que tem em todo supermercado, onde todos podem depositar embalagens” aconselha Nícia.

A questão da conscientização também foi bastante discutida, que continuou como uma das questões mais importantes para possibilitar mudanças. As pessoas se acomodam, pois, vivemos por muitos anos jogando lixo em um recipiente só. Separar o lixo seco do úmido é uma coisa difícil de se fazer para algumas pessoas, pois configura uma mudança de hábito. As pessoas estão cheias de problemas como a recessão, falta de empregos, e a questão do lixo, embora não seja menos importante, vai ficando em segundo plano. Como  grau de saúde pública é satisfatório, o suficiente para as pessoas não se preocuparem. O poder público precisa investir não só em equipamento, aumento de usinas de recuperação, melhorias de condições de trabalho, mas também em educação e informação. A saúde é de todos, portanto todos devem participar.

A situação de gestão de lixo em Belo Horizonte, porém, já evoluiu bastante nos últimos anos. Durante a entrevista discutimos o avanço em termos tecnológicos, de legislação e de exigência. A própria percepção da população mudou bastante. Eu diria que Belo Horizonte numa escala de evolução ela está muito melhor do que já esteve: embora precise de melhorias, já avançou muito mais do que falta. Como morador de Belo Horizonte, espero que as próximas administrações se preocupem e ajam na redução de resíduos, com o estabelecimento de metas realistas, mas ambiciosas.

Você pode escutar o debate na íntegra no site da emissora.

Hiram Sartori

Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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