Eficiência da Utilização de Bactérias no Processo de Tratamento de Efluentes

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Os rios vêm sendo cada vez mais poluídos devido a crescente descarga de resíduos poluentes gerados. O aumento da poluição se deve a crescente densidade demográfica e o desenvolvimento industrial, que gera uma grande quantidade de resíduos que são lançados diretamente no meio ambiente. Para despoluir a água, é usado um processo chamado Estação de Tratamento de Efluentes, que é composto pelas seguintes etapas: tratamento preliminar, tratamento primário, tratamento secundário e o tratamento terciário. O trabalho de conclusão de curso de Graziella de Oliveira Gorgozinho, apresentado junto ao curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, descreve brilhantemente a eficiência da utilização de bactérias na segunda etapa do processo de tratamento dos efluentes.

O processo começa quando as ETE recebem os efluentes poluídos e os submetem a uma série de processos físicos, químicos e biológicos, que vão acabar com a poluição contida na água. Assim a água retorna ao meio ambiente com características sanitárias mais adequadas. No tratamento preliminar são retirados os sólidos grosseiros do efluente, como lixo e areia, utilizando nessa parte processos físicos, como gradeamento, peneiramento e a sedimentação. Em seguida, é feito o tratamento primário, que diminui ainda mais parte da matéria orgânica, retirando os sólidos em suspensão sedimentáveis e sólidos flutuantes.

No tratamento secundário, etapa em que o trabalho de Graziela aprofunda, acontece a remoção da matéria orgânica a partir de processos biológicos, usando reações bioquímicas, através de microrganismos como bactérias aeróbicas, bactérias facultativos e protozoários. Aqui, meu trabalho “Caracterização Geotécnica de Lodos Provenientes de Estações de Tratamento de Água e de Esgotos Sanitários”, serve como apoio para o desenvolvimento do estudo da graduanda. Já no tratamento terciário, poluentes específicos são removidos, como micronutrientes e patogênicos, além de outros poluentes não retidos nos tratamentos primários e secundários. Esta etapa é utilizada quando se deseja obter um tratamento de qualidade superior para os esgotos.

Durante esse tratamento são gerados subprodutos como areia, escuma, lodo primário e secundário. Estes subprodutos são tratados para que diminuam o máximo sua carga poluidora, e possam ser usados como fertilizantes na agricultura ou depositados em aterros sanitários. Os Lodos Ativados são os tratamentos baseados em processos biológicos e são os mais utilizados no mundo. Sua eficácia se devo ao fato dele poder tratar um grande volume de efluente poluído, transformando-os em compostos orgânicos tóxicos em CO² e H²O.

Como estudei a caracterização dos lodos, eu, Hiram Sartori, fui citado ao afirmar que o Lodo Ativado é constituído por uma comunidade complexa de microrganismos compostos por bactérias aeróbicas e facultativas protozoários, fungos e micro metazoários. Esta comunidade estabelecida é essencial ao tratamento, principalmente aqueles microrganismos que removem substancias tóxicas que degradam maior quantidade possível de poluentes, minimizando os impactos ao meio ambiente e protegendo a saúde pública.

Como exemplo, Graziella cita a Estação de Tratamento de Esgotos do Ribeirão do Onça, que é uma das mais importantes obras da construção civil da capital mineira. A capacidade de tratamento da estação chega a 1.800 l/s, e apresenta índice de eficiência de cerca de 70%, resultando em uma significativa redução dos níveis de poluentes encontrados no Ribeirão do Onça, o que contribui para a melhoria da qualidade da água na bacia do Rio São Francisco.

Assim, esse trabalho é de extrema relevância, pois tenta provar que a depuração dos rios poluídos com esgotos receptados é eficiente e importante para a preservação do meio ambiente. Com essa pesquisa foi possível confirmar a aplicabilidade das bactérias, bem como protozoários e outros microrganismos utilizados no sistema de Lodos Ativados das Estações de Tratamento de Efluentes. Graziella então conclui: “As bactérias são fundamentais no desempenho do processo biológico em que são empregadas, visto que devolve a vida ao meio ambiente, atua na prevenção da poluição gerada pela sociedade e auxilia na reutilização do recurso hídrico que é uma grande fonte alternativa para o problema da escassez da água garantindo a sobrevivência das populações”.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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