Caracterização quantitativa e gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos: um estudo sobre o município de Campo Mourão

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Um excelente trabalho acadêmico põe em foco o problema do lixo no planeta. Os resíduos sólidos estão cada vez mais difíceis de ser gerenciados, e devido ao avanço tecnológico, os produtos estão com sua vida útil reduzida e por isso o uso de descartáveis com características mais complexas aumentou significativamente. Pensando nisso, a graduanda Ana Clara Fernandes Gasques produziu um Trabalho de Conclusão de Curso do curso superior de Engenharia Ambiental da Coordenação de Ambiental da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, cujo objetivo foi caracterizar quantitativa e qualitativamente os resíduos sólidos urbanos gerados no município de Campo Mourão, no Paraná.

Mais uma vez minha contribuição acadêmica foi pertinente e pode ser usada como referência na área de saneamento ambiental. A importância de trabalhos nessa área se deve ao fato de que a maior parte do lixo no mundo não é adequadamente coletado e tratado, e por isso põe em risco a saúde do planeta. Com o crescimento populacional no país, somado à concentração urbana, a capacidade natural do Planeta Terra de absorver o lixo produzido foi agravada. Quanto mais pessoas, mais lixo e consequentemente, mais gastos com coleta, tratamento e locais adequados para sua disposição final.

A preocupação é justificada quando se vê os dados apresentados sobre o país em relação aos seus resíduos sólidos. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o índice percentual do crescimento do lixo no Brasil em 2011 é maior do que o índice de crescimento populacional urbano. São cerca de 62 milhões de toneladas de resíduos urbanos por ano. O estilo de vida do país também interfere no lixo: os países mais industrializados, onde grande parte da população possui alto poder aquisitivo, um cidadão produz até dois quilos de resíduos sólidos por dia. No Brasil, cada habitante produz cerca de um quilo no mesmo período.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos exige que todos os municípios elaborem seu Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, e para isso ele deve ter o diagnóstico da situação quanto à geração em seu território, indicando origem, volume, caracterização e as formas de destinação e disposição final. Ana Clara estudou o gerenciamento dos resíduos sólidos em Campo Mourão e constatou que o atual sistema de coleta do município é terceirizado e o sistema utilizado para disposição final provenientes da coleta convencional é o aterro sanitário. Esta é a maneira mais segura de disposição final de resíduo, já que obedece a critérios específico e rigorosos como coleta e tratamento de chorume, drenagem de gases, impermeabilização lateral e inferior e drenagem de águas pluviais.

Em Campo Mourão, tanto a coleta seletiva quanto a convencional abrangem todos os bairros. Cada pessoa gera cerca de 0,97 kg de lixo por dia. E mais: a pesquisa feita constatou que a matéria orgânica é o principal item dos RSU do município, com 46% de todo o lixo, que poderia ser aproveitada em processos de compostagem. Os resíduos recicláveis tais como papel, plástico, metal e vidro representam 19%, 12%, 4% e 4%, respectivamente, que podem ser destinados a reciclagem, desde que não contaminados. Já os rejeitos representam um percentual de 15%.

A caracterização dos resíduos sólidos urbanos é indispensável na implantação de programa de coleta seletiva. O lixo não é homogêneo e suas características variam em função da cidade, e principalmente com as variações climáticas e sazonais. Varia ainda com as alterações que ocorrem com a população que o produz, ou seja, os resíduos diferem de composição, em razão dos hábitos e nível econômico da cidade.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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