Avaliação do uso da água magnetizada na produção de concretos em centrais

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Em meados de 2006, tive o prazer de ser da banca examinadora da tese de mestrado de Cristiano Oliveira Guimarães, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em seu trabalho, cujo título foi “Avaliação do uso da água magnetizada na produção de concretos em centrais”, Guimarães discute a importância de falar sobre a água utilizada na produção de concretos, as características específicas que a mesma deve possuir e, especialmente, a influência desta nas propriedades mecânicas e físicas de argamassas e concretos.

De acordo com Guimarães, o estudo da utilização de um tipo de água específico, chamada de água magnetizada, já é uma realidade em países como os Estados Unidos, o Japão, a China e a Rússia. Os benefícios de magnetizar a água estão no fato de que, ao ser magnetizada, a água sofre uma redução de sua tensão superficial – o que, por sua vez, promove uma melhor hidratação das argamassas. Utilizando as palavras do próprio pesquisador: “Em função desta melhoria, há uma mudança na reologia do concreto, tanto no estado fresco quanto endurecido, com registros de ganhos de resistência, consistência e trabalhabilidade” (GUIMARÃES, 2006, p. 15).

Todos estes dados nos parecem deveras interessantes, mas a grande questão do leitor, suponho, deve ser: qual é a finalidade desde tipo de técnica? Resultados de pesquisas feitas com a água magnetizada e compostos cimentícios comprovaram que a resistência à compressão do concreto produzido com a água magnetizada é superior a do concreto produzido com água sem qualquer tratamento ou especificidade – isso quer dizer, de forma resumida, que adotar a água magnetizada para criar cinemento pode fazer com que utilizemos menos argamassa para criar mais obras. Em termos ambientais, essa é uma economia considerável. provoca efeitos bastante negativos ao meio ambiente e que gera CO2, cuja emissão gera polêmica há muito tempo e tem sido alvo de planejamentos, censura e cortes. Estudos de novas técnicas e tecnologias que possam, portanto, diminuir a quantidade de cimento utilizada na engenharia são de extrema importância social e possuem, antes de tudo, uma preocupação com a natureza e com os ecossistemas e recursos do planeta.

Em termos financeiros, por sua vez, a proposta da água magnetizada é igualmente vantajosa e interessante: os custos de produção dos concretos na indústria da construção civil, com esta pequena iniciativa, poderão cair significativamente. Isto significa dizer que o preço de construção de uma casa – por exemplo – cairia, o que permitiria que mais pessoas tivessem a possibilidade de construir as suas moradias.

Levando em consideração o que foi exposto até o momento, é possível, além de tudo, apontar a importância científica de se discutir este tipo de temática. A tese de Guimarães é uma colaboração gigantesca para a comunidade científica e acadêmica, a qual poderá, no futuro, desenvolver ainda mais formas e pesquisas voltadas não apenas para o desenvolvimento da civilização humana, mas para a conservação das espécies naturais e animais que aqui estão. Convido o leitor para ler a extensa tese de Guimarães e deleitar-se com a sua escrita fluida e com as suas ideias, sempre pautadas em rico material bibliográfico e em testes empíricos.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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