A sustentabilidade no contexto universitário

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Uma questão que me é de extrema importância é a questão daquilo que chamo de Universidade Sustentável. O advento da modernidade trouxe consigo não apenas a invenção de métodos de produção acelerados, mas o aumento desenfreado do consumo humano. A busca por artigos cada vez mais avançados em termos tecnológicos (e, ironicamente, cada vez mais descartáveis) tem causado a degradação do meio ambiente, a poluição de áreas naturais e um acúmulo preocupante de resíduos, os quais colaboram para a propagação de toda a sorte de doenças e vetores. Acredito que, neste contexto, é necessário buscar formas mais sustentáveis de evoluir e viver – do contrário, estamos condenados a destruir, de forma até mesmo irreversível, os ecossistemas de nosso planeta.

Para que a sustentabilidade saia do papel, e se torne uma situação palpável e verdadeiramente motivadora, é preciso que trabalhemos para incutir em nossos futuros profissionais uma preocupação ambiental e social voltada para isto. Creio que a integração entre ensino, pesquisa, extensão e gestão seja um fator primordial para isto. Por meio da inserção das questões ambientais no metabolismo da universidade, poderemos refletir acerca de conceitos pertinentes ao tema, buscar formas de mapear as questões relevantes e as corriqueiras, e então criar práticas de gestão condizentes com as nossas demandas.

Particularmente vejo esta temática não apenas como uma questão técnica para a Universidade – não acho que a nossa maior preocupação deva ser, em palavras mais claras, criar pesquisas e trabalhos acadêmicos dignos de premiação. A sustentabilidade ambiental no meio universitário é, acima de tudo, uma questão de ética: ela permeia a diversidade de disciplinas e práticas acadêmicas, de fato, mas está ligada à realidade da vida humana. Afinal, para que a sustentabilidade se torne um pilar pela busca do bem estar geral, ela exige cooperação entre órgãos distintos, movimentação de várias instâncias e um trabalho que só poderia ser descrito como coletivo. Ainda que haja uma reeducação individual, ela não faz sentido se não for divulgada, estimulada e trabalhada coletivamente. Não existe, nesta discussão, espaço para choques de ego e individuação. Ou todos ganham ou ninguém ganha, em resumo, e esta é uma lógica que nem sempre é estimulada na academia (e no mundo fora dos portões da universidade).

Para gerar modificações estruturais de relevância e promover ações de real impacto, defendo uma política de “Sustentativação” da Universidade. E o que seria isso? Como o próprio neologismo sugere, é preciso sustentar e ativar: é necessário sustentar e fortalecer as bases e fundações imprescindíveis para a opção pela sustentabilidade ambiental da atividade universitária, levando em conta os planos sócio-econômicos, filósoficos, éticos e físicos, e também é imprescindível ativar a prática e o processo que levam finalmente à realização desta opção pela sustentabilidade.

A “Sustentativação” vai além dos currículos disciplinares e do quadro docente envolvido na construção da universidade: ela exige uma percepção do “todo complexo”, ou seja, exige que as comunidades locais, os projetos de pesquisa e extensão, os programas de pós-graduação, os projetos pedagógicos, os corpos discente, docente e de funcionários estejam inseridos em todo este mesmo processo, avançando em uma trajetória comum, ao mesmo tempo.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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