Ratos na cidade e a questão do lixo nas ruas

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O número de ratos nas ruas de Belo Horizonte vem aumentando nos últimos anos. Isso foi o que a reportagem do Jornal Hoje em Dia apurou em 2013. Embora não haja estimativa da população de ratos na cidade, a conclusão foi devido ao aumento das ligações recebidas pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) da prefeitura via telefone 156. Apenas no primeiro semestre de 2013 foram 17.183 chamadas com reclamações, uma média de 93 por dia. No ano anterior, foram 16.771 no mesmo período. Empresas particulares de dedetização também relataram o aumento dos roedores nos últimos anos.

Andando pelas ruas é difícil nunca ter visto ratos enormes se esgueirando pelas sarjetas de Belo Horizonte ou invadindo o espaço indevido. A presença deles é um sinal de descuido da população com o lixo, e das obras em todos os cantos da cidade. Na reportagem, a bióloga Viviane Avelar disse que os ratos de adaptaram ao ambiente urbano. “Antes, via-se mais as ratazanas. Agora, há forte presença da espécie conhecida como rato de telhado, que tem habilidade para escalar. Estão por toda a cidade”, afirma.

O dedetizador confirma que a espécie que dá mais trabalho para sua empresa são os ratos de telhado e atribui o problema ao aumento do número de obras na cidade.  “Construções civis e públicas, como a abertura de vias, tiram os ratos dos abrigos e por isso eles aparecem”.

Diante dos fatos apurados pela reportagem, dei minha opinião sobre o problema que infesta a cidade. Como identificado pelos profissionais entrevistados, o lixo está no núcleo do problema. Muitas pessoas ainda jogam lixo nas ruas, emporcalhando ambientes de convívio social. Segundo a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), 4.700 toneladas de lixo são recolhidas na capital por dia, sendo 1.800 na coleta domiciliar e 103 nas varrições de rua. Afirmo então que se há aumento no número de ratos, é porque há alimento e abrigo disponíveis.

A presença dos roedores nas ruas traz dois problemas: um é impacto visual negativo e o outro é a transmissão de doenças como a leptospirose. O que deve ser feito é contagem e contenção dos animais, para que a situação seja controlada. A solução está na mudança de comportamento da população. As pessoas devem ensacar o lixo e colocá-lo no ponto de coleta no horário certo, e devem estar disponíveis em toda a cidade.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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