Não é o fim das lâmpadas incandescentes!!!

Sem Título (1)

Ontem foi o último dia para se fabricar ou se importar lâmpadas incandescentes no Brasil. Embora elas ainda possam ser comercializadas por atacadistas e varejistas, por mais um ano, a partir daí estará decretado o seu fim no nosso país. O seu atestado antecipado de óbito, a Portaria Interministerial nº 1007, de 31 de dezembro de 2010, à época de interesse dos ministérios de Minas e Energia, da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, não deixa dúvida.

A partir da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, alguns resíduos passaram a ter a sua gestão realizada de acordo com acordos setoriais, baseados nos princípios da política reversa que, basicamente, atribui parte da responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos, ao fabricante do produto que lhe deu origem. Nesta categoria de resíduos se enquadram as embalagens plásticas de óleos lubrificantes, os produtos eletroeletrônicos e seus componentes, os resíduos de medicamentos e suas embalagens e, justificando a notícia destacada, as lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio, e de luz mista.

A notícia, por sinal, é evidentemente positiva, já que as lâmpadas fluorescentes são muito mais duráveis e econômicas. Entretanto, ao longo deste período, e depois também, sabe-se lá até quando, as lâmpadas incandescentes que ainda serão descartadas merecerão todo o cuidado de sempre. E as lâmpadas fluorescentes, também! E até mais que as incandescentes, já que do ponto de vista de poluição ambiental, deixam as primeiras no chinelo. Na ausência de um sistema de coleta e de destinação final eficaz, todas elas, independentemente do tipo ou de ser mais ou menos modernas, acabam indo parar em aterros, nem sempre sanitários, nos quais as lâmpadas fluorescentes dispersarão mercúrio, um metal pesado carcinogênico, ou cancerígeno, fazendo com que uma vez descartadas, sejam consideradas e tratadas como resíduo perigoso.

O principal motivo, para o adiamento da substituição das lâmpadas incandescentes por fluorescentes ou de outros tipos, é a diferença de custo de aquisição, ainda favorável às primeira. Apesar disso, o custo/benefício do seu uso a longo prazo, compensa esta situação inicial, já que elas são bem mais econômicas que as lâmpadas incandescentes. E esta é exatamente a justificativa da troca de um modelo pelo outro, a sua eficiência energética.

As lâmpadas incandescentes são formadas por um tubo de vidro que possui um filamento de tungstênio, por onde passa a corrente elétrica, aquecendo os átomos que o compõem e gerando a luminosidade amarela. Estas lâmpadas agravam o problema do aquecimento global, lançando mais gás carbônico na atmosfera e gerando muito calor. Cerca de 95% da energia consumida por elas é transformada em calor, e apenas 5% são convertidos em luminosidade. Isso leva a um maior uso de ventiladores e equipamentos de condicionamento de ar.

 

Descarte de lâmpadas fluorescentes

O principal aspecto relativo ao descarte destas lâmpadas, é entender e divulgar que, além de poderem causar acidentes como arranhões, cortes e perfurações, elas também podem poluir perigosamente o meio ambiente. Assim, uma vez inservíveis, estas lâmpadas devem ser seguramente acondicionadas, de preferência nas caixas de papelão originais, ou em engradados fornecidos por empresas recicladoras, preparados especialmente para este fim. Deve-se veementemente evitar quebrá-las e, quando do descarte propriamente dito, deve-se entregar estas lâmpadas apenas em postos autorizados de coleta. As lâmpadas inservíveis, queimadas ou vencidas não devem, em nenhuma hipótese, ser misturadas aos resíduos comuns, pois poderão poluir as áreas de disposição final de resíduos sólidos, e o seu entorno, principalmente nas comunidades desprovidas de aterros sanitários. Mais importante ainda, estes resíduos não poderão ser descartados junto com os resíduos recicláveis, que em nosso país na maioria das ocasiões são recuperados manualmente, em esteiras de catação. A matéria orgânica, separadamente acondicionada nos sistema de coleta seletiva de resíduos secos e úmidos, também não deve receber estes materiais, uma vez que o composto obtido ao fim do processo de compostagem conterá inaceitáveis partículas de vidro, e ainda ficará contaminado por mercúrio, que poderá vir a ser incorporado finalmente ao solo, às plantas e às águas superficiais ou subterrâneas.

Uma vez encaminhadas a empresas especializadas no processamento de lâmpadas fluorescentes inservíveis, o seu processo de descontaminação e reciclagem pode variar de acordo com o seu modelo. De uma maneira geral, primeiramente os terminais (componentes de alumínio, soquetes plásticos, e estruturas metálicas/eletrônicas) são separados, obtendo-se o vidro (em forma de tubo, cilindro ou outro formato), o pó fosfórico (pó branco contido no interior da lâmpada) e, principalmente, o mercúrio, que é extraído e recuperado em seu estado líquido elementar. Todos os processos ocorrem em equipamentos instalados sob circunstâncias específicas e em ambiente controlado, para que não haja fuga de vapores, e não ocorra a contaminação do ambiente e das pessoas que os operam. Posteriormente, os principais subprodutos (alumínio, vidro, soquetes, pó e mercúrio) podem ser então reaproveitados.

 

Descarte de lâmpadas incandescentes

Embora menos perigosas que as fluorescentes, para a preservação dos meios físico e biótico, deve-se preferir descartá-las sempre em pontos de coleta autorizados, ou pelo menos como material reciclável, desde que corretamente acondicionadas, para que não causem acidentes ao gerador ou aos operários responsáveis pelo seu manejo. Se recuperadas do fluxo de resíduos, estas lâmpadas permitem transformar novamente em matéria-prima, além do vidro, os seus componentes metálicos.

É sempre conveniente utilizar o invólucro de papelão de lâmpadas novas, para acondicionar as inservíveis, até a sua coleta. Lâmpadas que por qualquer motivo foram quebradas, devem ter seus pedaços acondicionados em recipientes rígidos ou semi-rígidos, ou pelo ser embrulhadas em folhas múltiplas de jornal.

Uma opção que sempre utilizo, até mesmo para descartar lâmpadas íntegras, são as embalagens longa vida que, dobradas e grampeadas, garantem a segurança necessária, e permitem fácil identificação do conteúdo, pelo som característico que produzem. Esta solução pose ser útil para cacos de qualquer tipo de vidro, louça ou porcelana.

 

Se quiser saber mais sobre toda esta questão, consulte:

Acordo Setorial de Lâmpadas Fluorescentes de Vapor de Sódio e Mercúrio e de Luz Mista

Previsão de pontos de  entrega de lâmpadas inservíveis e de quantidade de recipientes, por Município

Manual de implantação e operação, elaborado pelas empresas signatárias do Acordo Setorial

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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