Gerenciamento adequado de Resíduos de Serviços de Saúde pode evitar contaminações

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O gerenciamento de resíduos sólidos é questão importante para a saúde pública, e os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) devem ter atenção redobrada. O risco de contaminação que os RSS apresentam quando descartados de maneira inadequada no meio ambiente pode afetar o solo, a água e o ar, além de causarem danos a todos os seres vivos.  Os funcionários da área de saúde devem receber uma capacitação para lidarem com o lixo que mexem todos os dias. Por isso, vou esclarecer a importância do tratamento e destinação do RSS serem feitas de acordo com as normas de segurança.

Primeiro precisamos entender o que são os Resíduos de Serviços de Saúde: são os resíduos gerados por todos os serviços relacionados com atendimento à saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios; necrotérios; funerárias; drogarias e farmácias; estabelecimentos de ensino e pesquisa na área de saúde; centros de controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos; unidades móveis de atendimento à saúde; serviços de acupuntura e tatuagem; e outros similares.

O termo Resíduos de Serviços de Saúde surgiu para facilitar o tratamento dado aos resíduos vindos dos hospitais e estabelecimentos de saúde. Até a década de 1990 o termo “lixo hospitalar” abrangia uma mistura complexa, que envolvia restos alimentares, papéis de escritórios, embalagens, curativos e resíduos de cirurgia. A partir desta mudança os resíduos gerados nos serviços de saúde, em função de sua origem e de suas características, passaram a receber tratamento diferenciado.

Para que o lixo seja corretamente gerenciado, é necessário que as próprias pessoas que o produzam dentro da instituição de saúde tenham cuidados importantes com os resíduos, diferenciando-os, diminuindo sua produção e dando atenção as exigências de cada resíduo. O PGRSS, Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde, regula o gerenciamento dos resíduos da área de saúde a partir de bases científicas, técnicas, normativas e legais. O seu objetivo é minimizar a produção de resíduos e encaminha-los de modo seguro para o meio ambiente e a população. Por meio desse plano os resíduos são identificados, e é feita a determinação clara do que fazer com cada um deles, desde a sua produção até o seu descarte ou destinação final.

Segundo o regulamento, a etapa inicial do processo de gerenciamento deve garantir a rastreabilidade dos resíduos, através de mecanismos de controle de fluxo dos itens descartados, principalmente junto a setores responsáveis por almoxarifado, estoque e manutenção. O gerador do resíduo, seja ele indivíduo, grupo ou setor, deve assumir sua responsabilidade como agente minimizador do fluxo daquele resíduo. Essa etapa é importante para impedir que os resíduos biológicos e químicos contaminem os resíduos comuns, e dessa forma apenas os resíduos originalmente contaminados exigirão tratamento especial.

Logo depois é feita a classificação dos resíduos, agrupando-os em classes de acordo com seu potencial de risco à saúde pública e ao meio ambiente. Os grupos são divididos por riscos, entre resíduos biológicos, químicos, radioativos, comuns e constituídos por perfurocortantes ou escarificantes. Os resíduos biológicos e químicos ainda são subdivididos em líquidos inorgânicos, orgânicos halogenados, orgânicos não-halogenados, sólidos ou metais pesados.

O acondicionamento também é importante. De acordo com as características, os resíduos são separados em sacos plásticos, recipientes ou embalagens apropriadas que evitem vazamentos e resistam às ações de punctura e ruptura. Logo depois são identificados para fornecer informações para o manejo adequado e assim podem ser coletados nos locais de geração e transportados até o local de armazenamento final, onde fica até a realização da coleta externa, em um abrigo construído para tal fim.

A coleta e transporte externos conduzem os resíduos até o tratamento final através de veículos específicos, preparados e licenciados para tal fim, segundo frequência e cronograma pré-estabelecidos, por pessoal ou empresa preparados para esta atividade.

Por fim é feito o tratamento dos resíduos para eliminação ou diminuição dos riscos à saúde e ao meio ambiente. Para os resíduos biológicos a incineração tem se mostrado adequada, pois conduz à redução significativa de volume original de resíduos, transformando-os em escórias e cinza, que podem ser gerenciados como resíduos não perigosos e destinados a aterros sanitários.

Já os resíduos químicos devem ser armazenados no abrigo de resíduos perigosos, devidamente envasilhados, identificados e classificados, até seu encaminhamento para tratamentos específicos de neutralização ou inativação, e aí poderão ser reciclados para utilização em outros processos. Os radioativos devem ser dispostos em recipientes identificados e blindados para o decaimento de sua radioatividade, até o limite de eliminação, quando então serão considerados resíduos comuns.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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1 Resultado

  1. 8 de setembro de 2016

    […] discutimos aqui a importância do Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde em estabelecimentos como […]

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