Da lata ao aterros: as etapas da gestão de resíduos

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O fluxo de produção, tratamento e destinação do lixo traça um caminho fixo e conhecido e de grande importância para a população. Conhecer o caminho que os resíduos percorrem ajuda as pessoas a desenvolver hábitos adequados para cada etapa do processo. O engenheiro sanitarista Hiram Sartori explica exatamente o fluxo dos resíduos desde a lata de lixo até sua disposição final.

O fluxo se inicia na hora da produção de lixo, e é importante conhecer as características dele para então passar para o próximo passo. Nossa decisão quanto ao lixo doméstico pode evitar desperdício e a destinação inadequada dos resíduos. O aspecto mais importante na produção se refere a quantidade e qualidade dos resíduos: é preciso saber quanto lixo cada pessoa produz, e suas características, como por exemplo se é úmido ou se é denso. Isso ajuda também no acondicionamento, já que muitas vezes o lixo de matéria orgânica acaba produzindo um líquido ácido que ataca a superfície dos metais.

No exato instante que o lixo é produzido é necessário que nos preocupemos com seu acondicionamento, que é a fase que garante que os resíduos ficarão guardados dentro de um pacote, saco plástico, cesto de lixo, ou outros, de tal forma que o lixo não fique espalhado em nossas casas. Para isso é preciso decidir o tipo de material do recipiente. Nessa etapa é importante observar as exigências relativas ao processo de coleta seletiva, se ela existir, para acondicionar o lixo separadamente em função do seu tipo.

A etapa seguinte é a coleta. Ela é normalmente realizada pelos mesmos caminhões que realizam o transporte. A coleta é feita sempre que possível porta a porta, de tal maneira que as pessoas tenham um caminhão de lixo passando diariamente nos arredores de suas casas ou em alguns casos, em dias alternados. Existem vários tipos de caminhões, cada um adaptado para um tipo de resíduo. O modelo mais utilizado é o compactador, mas existem também os caminhões de carroceria aberta sem compactação, caçambas para o caso de entulho, e outros.

Os caminhões, então, levam os resíduos para sua destinação final. Ela nada mais é do que alguma forma de tratamento de resíduos, onde as qualidades do lixo são modificadas e o volume diminuído. No caso de matéria orgânica, a destinação deve ser a usina de compostagem, onde a irá se transformar em adubo, que pode ser utilizado pela prefeitura na adubação de suas praças por exemplo. Se o resíduo for um entulho, a destinação deve ser uma usina de reciclagem de resíduos da construção civil, onde ele será processado, moído, e usado para produção de material de produção para a própria construção civil.

Depois do tratamento, o material que não teve utilidade nenhuma, é considerado rejeito.  É o que restou do processo e não tem solução. Ele normalmente vai para um local conhecido como disposição final, que é o aterro de resíduos. O tipo de aterro varia, mas o que mais utilizamos no país é o aterro sanitário, embora existam outras soluções mais simples, como os aterros controlados. Existem também soluções mais elaboradas, como por exemplo os aterros energéticos e os aterros biorreatores, que são aterros que focam na recuperação energética, ou seja, eles são construídos de forma que a matéria orgânica decompõe e libera o gás metano, que vai ser capturado e transformado em alguma forma de energia utilizada pelo ser humano.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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