A importância da Educação Ambiental nas escolas públicas

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Um dos maiores problemas ambientais do nosso tempo é o aumento da retirada dos recursos naturais, sem preocupação com o ciclo natural de vida, isto é, sem sustentabilidade. Isso gera a grande questão da destinação final dos resíduos sólidos, que põe em risco a água que consumimos, o solo que plantamos, o ar que inalamos, e aumenta o risco de acidentes e doenças. Para solucionar esse problema, a educação ambiental entra como um dos meios mais eficientes, urgente e necessários, como ficou comprovado pelo trabalho de Maria Raquel da Silva, Briza Lopes, Maurílio Arruda, Camila Santana e Paulo Ramos, intitulado “Exercitando a Educação Ambiental através das práticas de coleta seletiva e reciclagem em escolas públicas do Vale do São Francisco”, apresentado no IV Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental que ocorreu em 2013 em Salvador, na Bahia.

Neste sentido, os autores buscaram analisar as atividades de educação ambiental nas escolas públicas, e citam a Política Nacional de Educação Ambiental, Lei n° 9.795/1999, que explica que todos os setores da vida social devem desenvolver prática educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais. Para isso, o artigo apresentou a análise de 20 escolas públicas dos municípios de Petrolina, em Pernambuco e Juazeiro, na Bahia. A pesquisa foi feita através de formulários, observações e registros fotográficos, focando na coleta seletiva e reciclagem das pessoas que frequentam essas escolas.

Os resultados obtidos na pesquisa, na minha opinião, mostram escolas despreparadas para lidar com os resíduos sólidos. Das 10 escolas pesquisadas em Juazeiro, apenas 20% praticam a coleta seletiva, e em Petrolina, chega a 56%. De todas elas, apenas 4 tinham caixas coletoras. Uma vez que o problema foi identificado, foram solicitadas caixas coletoras das Prefeituras, e foram realizadas adesivagens nas escolas, atividades de mobilização com toda a comunidade escolar, informando a importância da preservação do meio ambiente. Além disso foi mostrado que a implantação de coleta seletiva é um meio simples, mas que gera grandes benefícios tanto para o meio ambiente quanto para a comunidade. Foram também realizadas palestras, oficinas de reciclagem e distribuição de material informativo enfatizado a responsabilidade socioambiental da comunidade escolar, bem como a entrega dos coletores coloridos. No total, foram mobilizadas cerca de 2000 pessoas, entre estudantes e professores.

Tive a honra de ser citado neste trabalho como uma referência no assunto, ajudando o trabalho a justificar e esclarecer que a educação ambiental deve ser praticada no cotidiano, pelas escolas, sociedade, meios de comunicação de massa e grupos sociais. Concordamos na visão de que as instituições de ensino e pesquisa também devem estar envolvidas, principalmente por serem órgãos de pesquisa, proporcionando mais informação e compreensão da verdadeira função da educação na sociedade. Os autores afirmam ainda que a degradação ambiental é um problema de todos, envolvendo todas partes da sociedade. Para solucionar esse problema é necessário a capacitação os profissionais de todas a áreas, e a mudança de concepção da sociedade deve-se iniciar pela mudança de hábitos no que diz respeito ao consumo exacerbado e descarte em locais inadequados de lixo.

O trabalho conclui, então, que a educação ambiental é uma ferramenta indispensável no trabalho de empoderamento nas escolas.  Ficou claro que as escolas estão carentes de ações de educação ambiental e precisam de promoção de práticas de coleta seletiva.  Estas ações se provaram eficazes e as atividades lúdicas e as palestras contribuíram para o conhecimento dos alunos e professores sobre a difícil questão do destino do lixo. Eu acredito que o processo de construção desse trabalho é de grande valia tanto para a comunidade escolar atingida, quanto para a comunidade acadêmica. A troca de conhecimentos teóricos e suas aplicações práticas devem ser estimuladas sempre que possível.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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