Sugestões para a redução do lixo de casa e do escritório ou: como fazer economia e preservar o meio ambiente.

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Diante do problema do excesso de lixo nas nossas cidades e, afinal, no mundo todo, às vêzes nos perguntamos como fazer diferença nesta situação, de escala global. Como produtores de lixo que somos, podemos e devemos fazer muito, até mesmo sem sair de casa. Cuidar do próprio lixo, reciclar, pensar no meio ambiente e nas gerações futuras, é exercer a cidadania, os direitos e os deveres de cidadão. Com o objetivo de contribuir para uma maior participação das pessoas, no controle do desperdício e da produção de lixo, deixo minha contribuição para aqueles que, como eu, também buscam uma maior eficiência em suas ações ambientalistas. Na verdade eu já apresentei esta questão por um ponto de vista diferente. Se quiser conhecer, vá para o post associado a este link.

Em primeiro lugar, não vá às compras sem antes fazer, em casa ou no escritório, uma lista, escrita(!), de tudo que deve ser adquirido. Listas mentais, listas de memória, são um desastre. Listas feitas antecipadamente em casa ou no escritório, nos permitem verificar na despensa, na geladeira, e nas prateleiras, de uma maneira geral, quanto ainda nos resta de cada produto, estocado para consumo futuro. Também é possível conhecer a condição de validade, principalmente dos alimentos, definindo a partir daí, o que precisa ser realmente adquirido.

No caixa, se der, pague em dinheiro, ao invés de pronta e agilmente apresentar o cartão de crédito, como quem apresenta uma carteira de identidade na entrada do cinema. Muito cuidado! O cartão de crédito, ao facilitar a sua vida, também inflaciona a sua necessidade de comprar, e aumenta o seu risco de comprar por impulso, levando para casa alguma coisa que, no final da história, vai acabar tendo de ser descartada no lixo, por total falta de serventia.

Avaliemos as nossas escolhas no supermercado, na padaria, na farmácia, no shopping, ou seja, nas compras, em geral. Quando observamos os itens que podemos comprar, identificamos uma enorme quantidade de embalagens, muitas vezes desnecessárias, na forma de sacos plásticos, caixas de papelão, bandejas de isopor, entre tantos outros. Sempre nos perguntamos se é realmente necessário, levar para casa tanta coisa que, chegando lá, vamos ter de jogar fora.  Em diversas ocasiões, a resposta a esta pergunta pode ser não.

No momento das compras de supermercado, não é incomum nos depararmos com a opção de diferentes volumes de embalagens, para um mesmo produto. Embalagens maiores, com volumes que você tenha certeza de que vai consumir, geram menores quantidades de resíduos, do que embalagens fracionadas.

Observe que itens pequenos como pilhas, remédios, materiais de escritório, determinadas peças de roupa, periféricos para computadores, garrafas de água, lanches e barras de alimentos industrializados, entre tantos outros de que pudéssemos nos lembrar, dispensam automaticamente a utilização de sacolas plásticas ou de papel, já que podem ser facilmente acondicionados e transportados em nossas bolsas, mochilas ou pastas.

Embora comprar seja realmente fácil, aprenda a comprar, principalmente alimentos. Se não souber escolher um tomate ou um abacaxi, peça ajuda às pessoas que estão comprando a seu lado, ou aos funcionários do mercado. Sempre que possível, evite adquirir gêneros alimentícios em embalagens plásticas ou de isopor, que vão virar lixo na sua casa. Dê preferência a vegetais, verduras e legumes da época, e se possível, compre-os bem novos, quando chegarem às prateleiras, para que você não os perca, por estarem muito maduros, passados ou velhos, ou mesmo verdes demais.

Quando for possível comprar produtos a granel, o que que ainda é válido para diversos produtos, principalmente em mercados tradicionais, prefira esta opção. Isto lhe permitirá comprar apenas a quantidade necessária e sem desperdício, de um produto que estará sempre novo, sem embalagens excessivas, podendo ser transportado em embalagens mais simples, duráveis e reutilizáveis, como as sacolas de compra, resultando em um menor consumo de materiais.

No caso dos produtos de limpeza, pode-se usar produtos alternativos, feitos em casa, como por exemplo um limpador de vidro feito com água e vinagre. No caso de produtos de limpeza muito utilizados em casa, como sabão e água sanitária, dê novamente preferência para embalagens com maior quantidade de produto, pois elas produzirão menos lixo por quilo do produto comprado, e usado. Você também pode pensar em utilizar produtos concentrados, que podem ser diluídos em casa, quando for necessário.

É possível também reduzir o seu lixo, quando for a restaurantes ou lanchonetes. Ao fazer seu pedido, não pegue guardanapos, canudinhos ou pacotinhos de molho, além do que você vai utilizar.E não adquira produtos que não vá consumir.

Embalagens de certos produtos podem ser deixadas nas lojas, no momento das compras, com grande ganho para as iniciativas de coleta seletiva, uma vez que as lojas tendem a descartar maior quantidade de papelão, papel, plástico ou isopor, segregados e limpos, do que nós, em nossas casas. Este é o caso das caixas de papelão que acompanham sapatos e tênis, da loja até a sua residência. Pense se você realmente precisa levar estas caixas para casa, e lembre-se de que, se elas ficarem na loja, poderão ser devolvidas ao fabricante, ou doadas a um catador ou um reciclador, o que em qualquer caso facilitará a sua reciclagem. Se você tiver embalagens de caixas de ovos ou outras que sirvam para trabalho artístico, procure saber se a escola ou outra instituição estão precisando de doações.

Pense também em usar mais produtos reutilizáveis. No escritório, por exemplo, avalie a possibilidade de utilizar cartuchos de impressora repreenchidos com tinta. No trabalho é possível também economizar em copos descartáveis, usando uma caneca ou um copo feito de material resistente e lavável, toda vez que for tomar água ou café. A mesma coisa pode se repetir nos refeitórios: exija talheres, pratos e copos laváveis, ao invés de utensílios plásticos descartáveis.

Para o uso doméstico, prefira guardanapos e panos de prato, ou mesmo o coador de café, feitos de pano, que depois de lavados podem ser usados novamente.

Também é possível reduzir a quantidade de papel que usamos para os mais variados fins. Se estiverem em estado satisfatório depois de usados, reutilize envelopes, caixas de presentes, papeis de embrulho, e imprima rascunhos e testes no verso das folhas já usadas, nos trabalhos feitos pelo computador.

Em relação às roupas que você não usa mais, faça doações para quem precisa e vai utiliza-las. Para peças que, por seu estado de conservação não devam ser doadas, como toalhas, lençóis, ou guardanapos, descubra outros usos, ainda dentro de casa,

Não jogue fora os livros que não utiliza mais! Troque por outros que você não leu, em sebos, ou livrarias que comercializem publicações usadas. E no caso dos livros didáticos, passe os para parentes, vizinhos ou outras crianças na mesma idade escolar que a de seus filhos, e também adquira livros de segunda mão, em estado de conservação satisfatório.

Considere a possibilidade de compostar a matéria orgânica de sua casa ou de seu prédio, produzindo fertilizante orgânico, e economizando combustível no transporte do lixo, e espaço no aterro sanitário. Este fertilizante, conhecido como “composto orgânico”, ou simplesmente composto, pode ser usado como adubo no jardim e na sua horta, ou até em uma horta comunitária, ou uma horta urbana.

Você também pode dar um passo maior, e fazer mudanças fora de casa, na sua comunidade. Comece pelos seus vizinhos. Inicie uma cooperativa para a produção e distribuição de composto, apenas entre vocês mesmos. Produza e venda, ou doe, mudas de plantas ornamentais ou de árvores frutíferas. Esta idéia já exemplificada aqui no blog. Se quiser conhecer a iniciativa. siga para este link. Você também pode fazer contato com os grandes produtores de lixo orgânico de sua vizinhança, como supermercados, sacolões, floras, e outros, lhes consultando sobre a possibilidade de um esforço conjunto para a compostagem destes resíduos.

Acondicione seu lixo corretamente, pelo menos separando tudo que é seco, como vidro, metal, papel, plástico, isopor e outras embalagens, de tudo que é úmido, como restos de comida, carnes, legumes e outros. Se quiser caprichar mais um pouco, separe plásticos, vidros, metais, papel, papelão, cada material em um saco plástico, ou em uma caixa.  E se for possível, use sacos plásticos transparentes, como os da lavanderia, pois assim pessoas que queiram catar seus resíduos, terão certeza de que eles não estão contaminado com restos de comida, e nem com resíduos de banheiros. Procure divulgar estes conhecimentos e estas idéias. Assuma uma atitude em relação ao problema do lixo: Você quer participar ou você não quer se envolver?

Além de conversar com os vizinhos, colegas de trabalho, família, procure também encontrar soluções para os problemas, e cobre da sua comunidade e dos seus representantes, uma posição em relação ao problema. Se você procurar conhecer as leis e as normas que regem a questão do lixo em sua cidade, poderá assumir uma postura de responsabilidade e cumprir seus deveres. Pratique a cidadania: fiscalize a ação dos órgãos responsáveis pela coleta, transporte e destinação do lixo de sua cidade e lute pela manutenção da saúde pública.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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4 Resultados

  1. Paulo Schmalz disse:

    Muito bom professor Hiram!
    Aproveito para deixar uma dica para quem for fazer compras: atualmente existem diversos aplicativos gratuitos para os smartphones que funcionam como uma lista de compras digital com diversas funcionalidades bem interessantes que permitem gerenciar os custos das compras realizadas. Como hoje quase todo mundo possui um telefone smartphone, acredito que seja uma ótima ferramenta.

  2. Ela disse:

    Excelente. Estas atitudes individuais podem nos beneficiar e muito.

  1. 21 de junho de 2016

    […] Hiram Sartori – Como reduzir o lixo de casa e do escritório […]

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