Redução do lixo começa em casa

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Para reduzir o lixo o esforço da população e do poder público deve ser conjunto

Consciência ambiental é uma das ferramentas chaves para mudar o cenário do lixo no mundo. O excesso de lixo sobrecarrega o meio ambiente, causando poluição e danos à saúde da população. Uma das chaves para mudar esse cenário, se encontra na fonte, nós mesmos, geradores do lixo. Em Juiz de Fora a prefeitura começou um projeto, em 2012, que envolve a coleta seletiva de resíduos através de um caminhão que percorre a cidade, mas a falta de informação pôs em risco os esforços das autoridades.

O Jornal A Tribuna de Minas buscou minha opinião sobre as possíveis causas do fracasso do projeto. De acordo com a apuração, os moradores ao menos sabiam da existência do caminhão que fazia coleta seletiva. Os moradores atestaram que antes do projeto o caminhão não passava com horário nem rota definida, e nos lugares que passava duas vezes por semana, caíra para uma vez no mesmo período.

O mal funcionamento do serviço público influenciou os moradores, que acabaram não fazendo mais coleta seletiva do lixo domiciliar. Ana Paula de Araújo, residente da região sul de Juiz de Fora, contou que se preocupa com a destinação correta do material reciclável, mas disse que só irá separar o lixo quando o Poder Público fizesse sua parte. “Sempre separei meu lixo. Como o caminhão não passava, tinha que voltar com ele para casa e dar destino junto com a coleta comum. Para mim, é dolorido, porque tenho consciência ambiental, e a coleta seletiva é o melhor a ser feito. Mas a Prefeitura tem que ter assiduidade”, afirma Ana Paula. A moradora, assim como muitos outros, também afirmou não ter conhecimento da campanha.

O problema acaba passando de geração a geração, já que a educação das crianças fica comprometida. Um morador afirmou que pretendia desenvolver um trabalho com sua filha de 12 anos, para conscientiza-la da  necessidade da coleta seletiva. Mas por causa dos problemas, ele não tem separado o lixo. Já na Zona Norte, a população afirma não ter conhecimento sobre o retorno do recolhimento de recicláveis. “Se esse caminhão está passando, nunca foi visto. Estou com seis vidros de azeitonas que poderia encaminhar ao lixo reciclável. Como não há coleta, coloco junto com os demais materiais”, fala o morador Laerte Barros.

Mas alguns moradores ainda mantem os esforços individuais, apesar de tudo. A artesã Vera Andrade faz o que pode para destinar corretamente os resíduos. Há pelo menos três anos, ela separa vidros de maionese, latas de molho de tomate, caixinhas de leite, garrafas PET, papéis, jornais velhos, potes de iogurte e tudo o que pudesse ser reaproveitado. “Não coloco nada sujo. Sempre lavo antes. Procuro fazer a minha parte. Contribuímos, assim, para o desenvolvimento das pessoas e do planeta”, afirma.

Minha opinião é que, deixar de reduzir o impacto ambiental é uma ideia questionável. A reciclagem é o esforço de colocar materiais de volta no ciclo produtivo. Entretanto, ela só pode ocorrer se houver coleta seletiva. E esta só acontece se houver segregação na fonte, na casa das pessoas. Mas para convencer a população da importância da reciclagem, o município tem que ter uma estrutura para receber o material. Para reduzir o lixo o esforço da população e do poder público deve ser conjunto.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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